setembro 14, 2015

Resenha: “Aliança do Crime” mudará sua forma de enxergar Johnny Depp
The Hollywood Reporter | Por Todd McCarthy

Após muitos passeios pelo Caribe, Johnny Depp finalmente volta aos filmes mais sérios com “Aliança do Crime”, um grande filme de gangsters, cheio de assassinatos, espancamentos, traições e vingança, todos respaldados por um acordo secreto entre criminosos de Boston e o FBI. Ainda que o salto do diretor Scott Cooper para os grandes estúdios pareça familiar em alguns aspectos, ele cuidou de formar um super elenco, cheio de oportunidades de destaque. As perspectivas de sucesso de bilheteria parecem enormes.

Os fãs mais antigos de Depp, que estavam esperançosos com a possibilidade do ator fazer algo interessante em breve, vão gostar do seu mergulho no mundo do crime, sob a pele do lendário bandido James “Whitey” Bulger, o rei do crime do sul de Boston, de 1970 até 1994, quando foi forçado a fugir por 16 anos. Para alguns, ele estava apenas atrás de Osama Bin Laden na lista dos dez mais procurados pelo FBI.

A mesma coisa que lhe deu tanto status é o que garantirá ao filme um melodrama imersivo e não totalmente fiel à vida de crimes de Bulger. Até hoje, Bulger nega o conluio com os Federais, que seria a pior coisa que ele poderia fazer em seu mundo: formar uma “aliança” para livrar Boston da máfia italiana.

Dá para enxergar Depp por trás da maquiagem elaborada, do cabelo preto escovado para trás, dos olhos azuis e dos dentes podres. Ele até pode ter ficado mais bonito do que o Bulger de verdade, mas nem tanto. Ele está longe de ser o cara mais influente do pedaço, mas é muito resistente e tem um olfato de cão de caça para pessoas que pensam em cruzar seu caminho. Ele cresceu nas favelas de Southie e conhece a maioria dos seus companheiros desde seus tempos de parquinho.

Em uma homenagem ao filme “Cidadão Kane”, o roteiro de Mark Mallouk e Jez Butterworth, gira em torno do testemunho dado por alguns antigos capangas de Bulger após a prisão e desaparecimento do chefão. Suas confissões são reveladoras, mas não conflitantes: o chefe deles era o bandido dos bandidos, o pior homem de Boston, um homem que finalmente, aos 80 anos, foi condenado a duas prisões perpétuas mais cinco anos após ter sido acusado de homicídio (19 casos), extorsão, tráfico de entorpecentes e lavagem de dinheiro.

As cenas iniciais já mostram o perfil durão de Bulger, que está há quase uma década em prisões federais, incluindo Alcatraz, enquanto seus subordinados lotam os bares e carros do sul de Boston. Uma guerra contra a família Angiulo do norte de Boston parece inevitável, mas a gangue de Bulger não é a única organização que quer derrotar os italianos: o FBI não conseguiu nada com eles, então John Morris (David Harbour) e um agente conhecido de Bulger desde os tempos de infância, John Connolly (Joel Edgerton), vão convencer Bulger de que uma aliança secreta contra o inimigo em comum é do interesse dele.

O plano funciona brilhantemente, especialmente para Bulger, que agora tem Boston só para ele e ainda tem carta branca com os Federais; ele pode extorquir ou matar quem quiser e sair impune. O melhor que Billy (Benedict Cumberbatch), irmão de Bulger e o mais poderoso Senador do estado de Massachusetts pode fazer no momento, é fazer vista grossa.

A única coisa que Bulger não consegue controlar, tem a ver com seu único filho, um garoto de 6 anos que morre por conta de uma reação alérgica a uma injeção. Ele enlouquece e discute com sua esposa (Dakota Johnson), que depois disso nunca mais foi vista. Acho melhor não tentarmos adivinhar o que aconteceu com ela.

Quando uma morte se faz necessária, Bulger cuida disso pessoalmente ou permite que um dos seus capangas lide com o assunto. Rory Cochrane, W. Earl Brown, Jesse Plemons e Scott Anderson estão bastante convincentes em seus papéis de membros do círculo do bandido.

Cooper, que anteriormente dirigiu “Coração Louco” e “Tudo por Justiça”, dá ênfase à violência, ao impacto visceral e ao realismo das ruas, evitando extremos, cortes rápidos nas cenas e aspectos físicos ridículos.

Mas especialmente no que diz respeito a algumas sequências dramáticas, a abordagem de Cooper nos lembra os filmes da franquia “O Poderoso Chefão”, com alguns traços típicos bem parecidos com Coppola, começando com algumas cenas cuidadosamente compostas e até exageradamente grandes, seguidas por close-ups que dão uma aparência e tanto aos atores.

Os atores retribuíram o favor com fortes e caprichados sotaques dos moradores de Beantown. Como comparsa de infância de Bulger, que fez sua vida ao lado do criminoso, Edgerton está excelente. Ele nos mostra um vigarista ambicioso que acha que pode se safar de qualquer coisa, mas mostra ansiedades que começam a revelar seus pontos fracos. Peter Sarsgaard tem alguns momentos memoráveis como um empresário viciado em drogas, cuja infelicidade foi pisar no calo de Bulger. Harbour, Adam Scott e Kevin Bacon interpretam agentes federais cada vez mais frustrados com a situação do FBI. Corey Stoll aparece como um promotor federal determinado a colocar as mãos em Bulger, enquanto Cumberbatch é o distinto irmão que escapou das favelas, teve nove filhos, serviu como presidente do Senado de Massachusetts e depois como presidente da Universidade de Massachusetts.

Em suma, todos eles oferecem um forte apoio a Depp, que assumiu o comando da operação desde o início, e sempre esteve por perto, exceto quando desapareceu por um tempo na segunda metade do filme. Ele é tão carismático quanto seu personagem deve ser, totalmente convincente e assustador em seus jogos com os amigos e inimigos, mantendo todos distantes de suas verdadeiras intenções e espalhando punições em um ritmo alarmante. O instinto de Depp para observar, implicar e deixar certas coisas de fora quando necessário, brilha em seu desempenho, que está muito mais convincente do que em seu último papel como John Dillinger em “Inimigos Públicos”, de Michael Mann.

As localidades de Boston são numerosas e evocativas, e os méritos da produção forte da cinematografia de Masanobu Takayanagi são notáveis, bem como a produção de Stefania Cella e os figurinos de Kasia Walicka Maimone.

Fonte: The Hollywood Reporter via Yahoo Brasil


One Response to ““Aliança do Crime” mudará sua forma de enxergar Johnny Depp”

Cy

Ninguém tem como negar que ele está simplesmente brilhante nesse papel

setembro 15, 15 • 3:13 am


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