julho 4, 2016

Holllywood Vampires ressuscitam os mortos em Atlantic City

Se a atuação não der certo, Johnny poder ter uma carreira nessa coisa de guitarra
Por Brian Ives do Radio.com

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Vinte cinco anos atrás esta semana, Tom Petty and The Heartbreakers lançaram seu álbum, Into the Great Wide Open. No vídeo para a faixa título do álbum, Johnny Depp estrelou como “Eddie”, um músico esperançoso que se mudou para Los Angeles para se tornar uma estrela do Rock.
A história tem apenas algumas semelhanças com Depp: ele, também, mudou-se para L.A. para perseguir seus sonhos musicais. Um papel em um pequeno show chamado Anjos da Lei e em seguida, no primeiro filme A Hora do Pesadelo o levou a uma carreira um pouco diferente da de “Eddie”.
É um quarto de século mais tarde, e ele acabou de dar início a uma turnê como um membro dos Hollywood Vampires, ao lado de Alice Cooper e do membro do Aerosmith Joe Perry, dois caras que ele provavelmente cresceu adorando; na noite passada (03 de julho), sua turnê veio a Atlantic City, Borgata, em Nova Jersey.

Bom trabalho, garoto!

Assim, há muito poder de estrela nos Vampires – a banda em turnê também inclui o baterista Matt Sorum (ex-Guns N ‘Roses, Velvet Revolver e The Cult) e o baixista do Stone Temple Pilots, Robert DeLeo (substituindo Duff McKagan, agora em turnê com GNR). O grupo é completado pelo guitarrista Tommy Henriksen (da banda de Alice Cooper) e o tecladista / guitarrista Bruce Witkin, que foi colega de banda de Depp, pré estrelato no cinema, em uma banda chamada The Kids. No papel, parece incrível. Mas o quão bons eles são como uma banda ao vivo? E é Depp realmente um complemento necessário para uma banda que já está repleta de estrelas (e guitarristas)?

Bem, primeiramente, o tocar guitarra de Depp não é apenas um hobby de uma estrela de cinema. Joe Perry me disse em entrevistas o quão grande Depp é, e Perry realmente não é propenso a hipérbole. Mas uma coisa é ouvir a respeito, é uma outra realmente ver o cara tocar, e ele é um grande guitarrista, merecedor de seu lugar na banda. Se ele nunca tivesse ido a essa audição para Anjos da Lei, ele certamente teria sido capaz de ser um músico para a vida inteira (embora ele pode não ter sido capaz de comprar uma ilha com seus ganhos). Também – a seu crédito – ele nunca chama a atenção para si mesmo, ele deixa o seu tocar (sua performance) dominar. Para colocar de outra maneira, ele é o Brad Whitford de seu time de guitarristas.
Nenhuma banda pode ser grande sem um grande baterista. Só Axl Rose sabe por que ele não chamou Matt Sorum de volta ao GNR com Slash e Duff McKagan, mas a perda de Rose é o ganho dos Vampires. Sorum toca com o poder de Bonham e Moon, e com o balanço de John Densmore dos Doors e Mitch Mitchell do Jimi Hendrix Experience; essa combinação é precisamente o que é necessário para esta banda.
Ele é capaz de impulsionar os Vampires através de qualquer música, seja Love ou Motorhead, Spirit ou o old-school Fleetwood Mac.

Alice Cooper é um dos grandes frontmen de todos os tempos, se não um dos melhores vocalistas, mas foi uma explosão vê-lo reverter de volta para um cantor rock de garagem (e às vezes, gaitista*).

E Joe Perry? O cara continua um dos guitarristas mais excitantes, décadas depois de começar com o Aerosmith. E, claro, ele é um dos caras mais legais do planeta. A semelhança de Johnny Depp parecia estar tatuada em metade da multidão, e mesmo ele provavelmente quer ser Joe Perry.
Coloque todos esses elementos juntos, e você tem uma das melhores bandas cover que você vai ver, de todos os tempos, e é claro que eles estão se divertindo tanto quanto o público quando sobem ao palco.

Em mãos erradas, o tema central da banda – pagar tributo a pessoas que já morreram, principalmente por meio de abuso de substâncias – poderia soar severo, ou mesmo como um comercial “Apenas diga não”. Ao invés disso, Cooper (que conhecia quase todos esses artistas falecidos) comemora Lennon, Hendrix, Morrison, Moon, et al, perguntando: “O que eles teriam gostado?”

O show começou logo após as 8 da noite com um filme mostrando alguns dos artistas aos quais os Vampires pagam tributo, em seguida, a banda subiu ao palco com uma de suas poucas originais, “Raise The Dead.”
“Uma rápida morte súbita,” Cooper cantou. “E assim o corpo morre, mas a música permanece viva.” O show foi prova disso. De lá eles foram para “I got a line “ dos Spirits. Em seguida, duas músicas de David Bowie, cujo catálogo não era elegível para um cover dos Vampires quando eles lançaram seu álbum de estreia homônimo ano passado, já que ele ainda estava vivo. Que deu às performances de “Rebel Rebel” e “Suffragette City” mais agudo … ou o tanto de agudo que uma música que convida o público a gritar “Wham! Bam! Obrigado, minha senhora!” pode ter. De lá, eles fizeram um cover de “Manic Depression” de Jimi Hendrix e um medley dos Doors ‘ “Five to One” e “Break on Through.”

Poucos cantores poderiam submeter-se a fazer um cover de canções de Bowie, Hendrix e Morrison, mas Cooper nunca tentou imitar, ele é sempre muito Alice Cooper quando canta a música de outra pessoa. Isso deu uma sensação muito mais arrepiante a “Sweet Emotion”, do Aerosmith, que assume um tom diferente quando Cooper canta a letra de Steven Tyler: quando Tyler canta “o ritmo dos bastidores fizeram suas calças pegarem fogo”, soa como um Tyler-ismo. Nas mãos enluvadas de Cooper, soa mais como uma ameaça.

“Come Together” dos Beatles, substituiu “Cold Turkey” de Johnh Lennon no setlist, e foi provavelmente a melhor escolha; ela provou estar nos destaques do show, e foi um dos poucos acenos para o songbook ( livro de cifras) de Perry (juntamente com “Sweet Emotion”, o de Cooper foi representado com “I’m Eighteen” e “School’s Out”).

Cooper, sabiamente, reconheceu quando outras vozes podem funcionar melhor do que a sua: durante uma “Whole Lotta Love” de levantar o telhado (fazer barulho), Witkin assumiu alguns dos vocais. Perry pegou o microfone, como ele faz uma vez por noite durante os shows do Aerosmith, para “Stop Messin ‘Around” de Peter Green -era Fleetwood Mac (eu admito que eu procurei no Google”Peter Green” para me certificar de que ele ainda está vivo; felizmente, sim, ele está).
Em “Ace of Spades” do Motorhead ,Matt Sorum, que tocou um tempo na banda de Lemmy, assumiu os vocais.

Como um aparte, o fato de que ambas as canções de Lemmy e Bowie e são recém-elegíveis para covers dos Vampires é um lembrete austero de quantas lendas perdemos este ano. Deve ter ocorrido a Robert DeLeo que, talvez, uma música dos Stone Temple Pilots também poderia ter sido considerada .
Das três originais da banda, “As Bad As I Am” (da versão deluxe de seu álbum homônimo) foi o destaque, e faz um bom argumento para mais originais deste combo.
Mais para o final do show, Cooper disse, com uma piscadela: “Desculpem se nós não fizemos um de seus covers favoritos … mas eles provavelmente não estão mortos ainda”. Acrescentando: “Se eles morrerem … estaremos lá.”

Eu acho que todos nós gostaríamos de ficar alguns meses ou anos, sem perder mais nenhuma lenda. Mas esperamos que os horários da carreira de Cooper solo, Perry / Aerosmith, e o cronograma de filmes de Depp, alinhem-se para mais tours. Desculpem o trocadilho, mas esses Vampiros definitivamente tem muito mais vida neles.
*Harmonica player: quem toca gaita de boca.

Setlist:

“Raise the Dead”
“I Got a Line”
“Rebel Rebel”/”Suffragette City”
“Manic Depression”
“Five to One”/”Break on Through”
“As Bad As I Am”
“20th Century Boy”/”Bang a Gong”
“Come Together”
“Seven and Seven Is”
“Whole Lotta Love”
“Dead Drunk Friends”
“Stop Messin’ Around”
“Ace of Spades”
“Pinball Wizard”/”My Generation”
“I’m Eighteen”
“Sweet Emotion”
“Train Kept A’ Rollin’”
“School’s Out”/”Another Brick in the Wall”

Tradução Cy Vieira/DeppLovers



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