setembro 6, 2015

Festival de Cinema de Veneza 2015: Coletiva de imprensa de “Aliança do crime”.
The editor unit | 4 de Setembro de 2015

Você teve que encontrar algo ruim dentro de você para interpretar Whitey Bulger?

Johnny Depp: Eu encontrei o mal em mim há muito tempo atrás, e eu o aceitei. Somos velhos amigos.

O jeito que ele encara o espelho pensando: “Vou fazer algo maligno hoje”, isso no contexto dos negócios que ele faz. A violência faz parte do trabalho e é também a linguagem que as pessoas com quem ele tem associação ou não interagem. Eles entendem a mesma língua. Era uma linguagem.

Scott Cooper: Eu já conheço o Johnny a alguns anos, socialmente e pessoalmente. Ele é um dos seres humanos mais nobres e gentis que conheço. Vê-lo se transformando em Bulger é algo que nunca vi de um ator. Na verdade acredito que ele é um ator que enfrenta riscos que outras estrelas do cinema não enfrentariam. Ele é um homem que eu considero como um tesouro nacional, um prazer de trabalhar, um verdadeiro artista.

Você (Johnny) notou os fãs que estão acampados lá fora desde a noite passada aguardando sua chegada à premiere?

JD: Eles são muito gentis por esperar durante um longo tempo só pra dizer “oi” e “bem vindo à Itália”. Aquelas pessoas lá fora, eu não as chamo de fãs, isso não funciona comigo. Elas são nossos empregadores, nossos patrões. Elas gastam dinheiro para escaparem (da rotina) e passar duas horas assistindo o filme. Eu sou grato pelos meus patrões que estão lá fora.

Como é interpretar um criminoso real que ainda está vivo?

JD: Eu sempre achei que existe uma tremenda quantia de responsabilidade, pelo menos pra mim.
Não importa se eles são considerados bom ou ruim, isso não reflete na consideração em relação a ser o mais verdadeiro que eu puder. Veja o exemplo de Dillinger (que Depp retratou em Inimigos Públicos). As pessoas tinham opiniões diferentes. Para mim ele foi quase como um Robin Hood. Eu conversei com seu último parente vivo, sua irmã, e ela me disse que ele era um dos caras mais engraçados e eu acreditei nisso.

Em relação a Bulger, existem algumas filmagens, material de vigilância e algumas fitas onde você consegue ouvir tiroteios de uma caçada com Bulger. É importante ser verdadeiro aos dois lados opostos do cara: ele é um negociante que, na linguagem de seus negócios, fez o que tinha que fazer. E tem o ouro lado, que é o lado do cara de família, bastante dedicado a sua mãe e irmão. Ele é um cara muito complicado. Quando você mergulha em uma pessoa assim, você deve primeiramente fazer jus à ela de alguma forma, mesmo com o fato de estarem enfrentando momentos ruins.
Eu perguntei ao seu advogado se poderia falar com ele, mas Bulger se recusou respeitosamente. Acredito que ele não é um grande fã do livro “Aliança do crime”, ou de qualquer outro livro sobre ele.
O advogado dele me passou muita confiança dizendo que podia sentir seu velho amigo na minha atuação. Isso é um grande elogio.

Como você trabalhou o contraste entre a imagem pública do criminoso e sua devoção e afeto como membro de família?

JD: Eles nunca se viam como pessoas más. Eles se viam como pessoas corretas até mesmo nos piores momentos.
Existe algo quase poético no fato do que ele podia fazer no seu trabalho, sendo um imigrante irlandês orgulhoso, leal a sua vizinhança, um grande protetor da mãe e bastante próximo do seu irmão.

Connelly é mais novo que Bulger. Ele se envolveu porque era um garoto de Southie também!
É divertido quando você troca a marcha e vai parar nos anos 90, e dos anos 70 para os anos 20. E desafiador e é sempre satisfatório. Não posso dizer que satisfação seja um sentimento ruim. Ele era complicado. Ele levava as compras de uma velhinha pra dentro de casa e dez minutos depois ele estaria quebrando o crânio de alguém.

Você se transforma bastante: Ed Wood, Edward mãos de tesoura, Piratas do caribe… Porque você faz isso?

JD: Eu nunca decidi ser um ator. Eu nunca dei importância porque eu era músico.

Eu tive um começo meio preso, em uma série de TV, que foi o que me colocou no mapa. E foi muito frustrante. Você percebe que você acaba dizendo palavras de outra pessoa e em um período de um ano, talvez você comece a dizer suas próprias palavras, especialmente os palavrões.

Meus heróis do cinema eram: John Barrymore, Marlon Brando, Timothy Carey, John Garfield. Todos esses caras sempre se transformavam e eu sempre quis ser um ator caricato. Eu tentava ser isso e não o galã de pôster que eles tentaram me transformar à uns ‘cem’ anos atrás.

Fora o fato do que isso significa para mim, acredito que ser ator te dá a responsabilidade de mudança em relação ao público. A oportunidade de dar a eles algo diferente e novo. Tentar surpreender ao invés de entediar fazendo a mesma coisa toda vez. Existem riscos ao tentar essas transformações. Pra mim é bastante desafiador e é muito importante, como ator, testar a si próprio.

Como você trabalhou o visual desse filme, princialmente os olhos?

JD: Scott e eu decidimos que era muito importante parecer o máximo possível com Jimmy Bulger. Meus olhos são pretos, então usamos lentes de contato pintadas à mão. Têm um maquiador que trabalha comigo a muitos anos, Joel Harlow, e nós fizemos aproximadamente quatro/cinco testes antes de mostrar algo para o Scott. Capturamos o máximo que podíamos do visual do Jimmy Bulger.

Fonte | Tradução e adaptação: Depplovers


6 Responses to “Artigo do The Upcoming UK – Coletiva de “Aliança do crime””


Obrigada Juliana, sempre bom ler o que Johnny tem para dizer.

setembro 6, 15 • 9:02 pm


CamilaD

Johnny muito profissional, seu trabalho mais uma vez impecável.
Obrigada Jay.

setembro 6, 15 • 9:32 pm


Liu

Johnny e suas palavras precisas! Muito bom!
Obrigada, Juliana!

setembro 6, 15 • 9:59 pm


Rosa Maria

Obrigada Jay! Muito bom. Johnny sempre muito claro, muito tranquilo em nos transmitir a maneira como trabalha, o respeito pelos personagens e por seus “patrões”. Adorei!!

setembro 7, 15 • 4:20 pm


Cy

Johnny sempre maravilhoso nas entrevistas!!!

setembro 8, 15 • 8:38 pm


heleusiane

Maravilhoso Johnny!!!

setembro 8, 15 • 10:34 pm


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