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Co-autor do livro “Black Mass” elogia o filme

A Boston Magazine publicou dia 03/06/2015 uma entrevista com Dick Lehr, um dos autores do livro “Black Mass: The True Story of an Unholy Alliance Between The FBI and the Irish Mob”, no qual foi baseado o filme Black Mass.

Q & A com o Co-Autor de Black Mass Dick Lehr

O ex-repórter do Boston Globe e professor da Universidade de Boston revela o que Whitey pensaria do próximo filme, e fala sobre sua participação especial em uma cena.
Por Kyle Clauss | Artes e Entretenimento | 03 de junho de 2015 13:35

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O trailer oficial de Black Mass foi finalmente lançado no mês passado, contendo um ameaçador Johnny Depp como o gangster Whitey Bulger, um arrogante Joel Edgerton como o desonrado agente do FBI John Connolly, e uma participação especial da banda da Universidade de Boston, tudo com música de Rick Ross .

O filme, programado para lançamento em 18 de setembro, é baseado no livro de mesmo nome, publicado em 2000 e escrito pelos ex-repórteres do Boston Globe Dick Lehr e Gerard O’Neill. O livro dá um frio e íntimo olhar ao relacionamento entre o corrupto FBI de Boston com o chefe da máfia de Southie, com base em anos de relatórios e observações da dupla para o Boston Globe.

A Boston Magazine conversou com Lehr, agora um professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Boston, e discutimos o que Bulger poderia pensar do filme, o que era por dentro o Triplo O’s, e sua pequena ponta no filme.

BM: Quando você começou a tomar conhecimento de que Black Mass se tornaria um filme?

DICK LEHR: O filme Black Mass é uma daquelas histórias lendárias de Hollywood que aparecem de novo, de novo, de novo, de novo, de novo por quase 10 anos. Portanto, não há uma resposta direta fácil para isso. Quando o livro saiu em 2000, antes mesmo dele sair, os direitos do filme foram comprados por Harvey Weinstein e sua companhia Miramax. Ele tinha em mente Ben Affleck e Matt Damon, que foram apenas saindo com o avanço do filme. Então, isso tudo era muito emocionante, mas isso foi há 15 anos atrás e nunca nada veio dele, e ninguém sabe porquê.

Ele passou por várias mãos, através de diferentes produtores com várias opções e desenvolvimentos. Havia um diretor chamado Robert Greenwald, que o teve por um par de anos, e ele ia fazer um filme de TV a cabo de quatro horas, o que nunca aconteceu. E então veio o Brian Oliver, que era o produtor e fez o filme, juntamente com a Warner Brothers. Acho que era 2005 ou 2006, quando ele pegou a opção. Na época, ele era um graduado de Berkeley, um advogado, e estava envolvido com cinema, mas ele ainda não era bem sucedido.

Ele contratou um cara para desenvolver o roteiro, mas levou 10 anos para fazer o filme. É tudo sobre ele e sua determinação de transformar o livro Black Mass em um filme. O grande impulso dele foi produzir Black Swan. Assim, sua carreira ganhou impulso há alguns anos, e ele criou uma empresa chamada Cross Creek Pictures. Black Swan fez uma tonelada de dinheiro, recebeu um monte de elogios da crítica, juntamente com Ides of March , filme com George Clooney, assim ele se tornou, nos últimos cinco anos, uma importante personalidade de Hollywood. E ele sempre teve Black Mass , ele nunca se esqueceu de Black Mass , e ele finalmente colocou esse negócio em prática nos últimos anos.

BM: Você sempre planejou que Black Mass seria transformado em um filme? A escrita e o ritmo são tão cinematográficos às vezes, que parece ter sido desta maneira.

DICK LEHR: Não, eu acho que é apenas a natureza da narrativa de não-ficção. Você tenta escrever cenas, cena após cena após cena. Eu acho que [em] todos os meus livros, eu tento fazer isso.

BM: Existe alguma cena do livro que você está especialmente interessado em ver traduzida para a tela grande?

DICK LEHR: Oh Deus. Eu realmente vi o filme, então agora tudo está indistinto. Não, acho que a principal coisa que eu queria de Black Mass é que o escuro fosse a parceria Whitey-FBI, a aliança profana ser capturada, e que fosse autêntica. E isso é certamente o que eu assisti quando eu fui para Nova York na outra semana para vê-lo.

BM : E o que você achou ?

DICK LEHR: Eu penso que é realmente bom.

BM:Quem mais além de Johnny Depp teria feito um bom Whitey Bulger?

DICK LEHR: Bem – e isso vai voltar – outro ator que sempre gostei e falei foi Ed Harris. Há uma estranha semelhança. Eu acho que Ed Harris teria sido bom.

BM: Até que ponto você esteve envolvido no filme?

DICK LEHR: Durante o processo de desenvolvimento do roteiro, que passou por muitas mudanças, o que é típico, Gerry e eu fomos consultados, e ficamos disponíveis para consulta. Uma vez que eles estavam aqui em Boston, há um ano atrás, por 10 semanas filmando, nós dois estivemos no set, em momentos diferentes, uma ou duas vezes por semana. E embora não fosse um tipo formal de consultoria, sempre que estávamos lá, nós acabamos sendo consultados. Tivemos algumas reuniões sobre a história com o diretor, umas duas com Johnny Depp, sobre a cena que eles estavam fazendo ou o que quer que fosse.

BM: Alguma vez você visitou o Triplo O’s em Southie durante seu auge?

DICK LEHR: Oh sim. [ risos ] Sim.

BM: O que você pediu?

DICK LEHR: Uma cerveja, um chope.

BM: O que você lembra sobre isso?

DICK LEHR: Só me lembro de não me sentir muito bem-vindo. Ninguém sabia quem éramos, e eu acho que é por isso que nós não fomos bem recebidos, porque ninguém sabia quem éramos. Ninguém nos reconheceu, e nós estávamos vendo de fora, e sabíamos o que aquilo significava. Então, houve um certo frio -eu nunca vou me esquecer – no local.

BM: Como você reagiu a captura de Bulger em 2011?

DICK LEHR:Era apenas, “Oh meu Deus. Finalmente. Oh meu Deus. “. Fiquei sabendo da maneira mais fora de moda. Minha esposa e eu não temos um telefone no nosso quarto, e então eu me levantei essa manhã e saí para pegar o jornal de manhã, o Globe , e lá estava ele, gritando na primeira página. E eu só fiquei ali pensando: “Oh meu Deus.”
Então eu fui para a cozinha, onde temos um telefone, e havia cerca de 15 mensagens de backup, a partir da 01:00-chamadas de rádio e TV locais, pedindo para comentar o assunto. Então, se tivéssemos um telefone no quarto, eu já teria acordado no meio da noite com a notícia. Mas foi mesmo pelo papel, de manhã.

BM: O que Bulger pensa do seu livro e do filme?

DICK LEHR: Ele iria rejeitá-lo e condená-lo, e negá-lo, porque é um livro que revela sua vida de informante do FBI. Um de seus principais planos em seu julgamento de extorsão e assassinato era que ele nunca foi um informante. Portanto, não há nenhuma maneira que eu acho que ele possa gostar.

BM: Black Mass capta muito habilmente uma velha Boston que parece ter desaparecido. A Boston de Bulger está desaparecida por completo?

DICK LEHR: Eu não diria que ela foi embora. Esta em grande parte diminuída, porque Southie mudou muito. Ela costumava ser um bairro extremamente insular, quase inteiramente irlandesa-católica. Mas agora não é. E o Seaport District é o lar de uma grande quantidades de jovens profissionais. Mas há ainda uma abundância de cantos e recantos da velha Boston e do velho Southie, tal como existem em Charlestown. Não é predominante e não dominante, de modo que você pode, eu acho, passar um dia em Southie e não vê-lo, enquanto que há 20 anos ou algo assim, você não poderia perder isso se você entrasse em Southie.

BM:Tiger, o gato malhado que levou à captura de Bulger, foi incluído no filme? Ou você não pode abrir mão disso?

DICK LEHR: Você sabe, ele não está incluído. Black Mass centra-se no FBI e Bulger, as duas décadas de seu envolvimento. Portanto, não é como a sequência que nós escrevemos, o Whitey da biografia, que eles usaram muito porque mostra o desenvolvimento e toda a vida e história de Whitey. Mas não é como um filme biográfico, nesse sentido. Centra-se sobre a relação do FBI e da corrupção.
Assim, termina com – Whitey em fuga, Whitey o fugitivo, “Charlie Gasko” (*), sua captura- que se torna parte de um epílogo. Caso contrário, ele iria durar 10 horas. [ risos ] Seria só continuação.

BM: E o seu encontro casual com o agente do FBI John Connolly, foi incluído no filme? E se assim for, tem uma cena em que você atuou?

DICK LEHR: Não, isso não foi feito. Há uma cena diferente, onde Gerry e eu nos encontramos com o agente do FBI John Morris. Então eles têm uma dupla de atores que nos representam, e o diretor nos colocou em uma mesa próxima no restaurante. E eu honestamente não me lembro os nomes dos atores. Foram alguns rapazes locais. Eles não permitiram que nós representássemos a nós mesmos.

(*)Charlie Gasko é um dos pseudônimos usados por Bulger.

Tradução e adaptação DeppLovers

Artigo da Boston Magazine

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