November 21, 2015

Tradução completa da entrevista:

As estrelas de “Aliança do Crime”, Johnny Depp e Joel Edgerton, escolheram o nervosismo e a apreensão ao ensaio.
Mais de um oceano de cafeína, Johnny Depp, Joel Edgerton e Scott Cooper – as estrelas e o escritor-diretor, respectivamente, do sombrio crime-drama, “Aliança do Crime” – se reuniram para uma conversa colorida que começou com a descoberta de um amor mútuo pelas bandas de punk hardcore Agent Orange e The Dead Kennedys e terminou com contos variados sobre as aparições de Bob Dylan. (Cooper o viu um ano no Halloween, quando levava suas filhas para pedir doces ou travessuras. Depp lembrou de estar nos bastidores de um show anos atrás, segurando sua filha, com então 3 semanas de vida, Lily.)

No meio disso, houve conversa sobre Donald Trump e Ben Carson, Strasberg e Stanislavsky, Henry VIII, coxas de peru, e sim, “Aliança do Crime”, que conta a história da vida real do chefe do crime de Boston, James “Whitey” Bulger (Depp) e sua mutualmente benéfica aliança com o agente do FBI John Connolly (Edgerton).

Joel diz que “o público gosta de assistir pessoas fazerem coisas ruins com outras pessoas nos filmes.”
Cada um de vocês pode nomear um favorito?
Edgerton: Os dados conhecidos são “Poderoso Chefão I e II.” Mas vamos ser mais ousados e criativos. Eu sempre quis que alguém fizesse uma boa versão de “The Dice Man” (novela de 1971), porque é uma pessoa apenas fazendo coisas terríveis aleatoriamente… E meu australiano favorito que eu estava envolvido, “Animal Kingdom,” foi uma grande janela para o mundo do crime também.
Depp: Filme muito forte. Por mim, eu teria que dizer “Bad Boy Bubby.” Você já viu isso? [Edgerton se dobra, rindo.] Ele foi proibido nos Estados Unidos, e só aconteceu de eu ter uma cópia. “Bad Boy Bubby.” É um dos filmes mais perturbadores que você vai experimentar.
Edgerton: Um cara preso em um porão criado por sua mãe…
Depp: Ele nunca esteve do lado de fora. Sua mãe diz pra ele que tem veneno no ar. Ela usa máscaras de gás toda vez que vai para fora. Ela finalmente morre e ele faz coisas realmente estranhas.
Edgerton: É tipo a versão australiana de 20 anos de “Room”.
Depp: A outra, porque eles eram personagens tão amáveis e nem um pouco interessados na lei, é “Withnail & I.” Está bem ali no meu Top 3 de filmes.
Cooper: Eu não posso colocar “Bad Boy Bubby” no topo. Mas eu realmente gosto de “Sexy Beast” de Jonathan Glazer.
Edgerton: O personagem de Ben Kingsley nele… É um homem que não vai recuar. Há algo gracioso sobre uma pessoa como um criminoso. Eu me lembro das pessoas dizendo que meu personagem em “The Great Gatsby” foi realmente horrível e eu dizia “pelo menos ele sabe o que ele é. Ele é a pessoa mais honesta naquele grupo. Ele não está fingindo ser nada que ele não é e isso é bonito.”

Isso parece ser o apelo da campanha presidencial de Donald Trump.
Edgerton: Exatamente. Ele não está prevendo seu público e o que eles querem ouvir. Ele apenas está dizendo o que ele pensa.
Depp: Ele diz coisas estranhas. Quem é aquele outro cara? Ben Carson? Ele pensa coisas estranhas. Um neurocirurgião? Eu não quero aquele cara no meu cérebro.

Então há um apelo para esses personagens e esse gênero. É fácil fazer um filme de gângster divertido. Mas “Aliança do Crime”, em sua maior parte, não é um filme divertido. Ele não sai da violência.
Cooper: Absolutamente. “Goodfellas” é um filme divertido. Provavelmente muitas pessoas queriam que eu fizesse um filme desse jeito. Mas é muito fácil glamourizar os gângsters e tornar isso um estilo de vida aspiracional. Eu não tive nenhum interesse em estilizar a violência. Eu não queria dessensibilizá-la.
Edgerton: Se não fosse uma história real, você provavelmente teria mais licença para ir pra esse caminho. Mas você tem que respeitar os fantasmas e os espíritos das pessoas reais que se foram e suas famílias que ainda andam na Terra. Eu sabia que Scott viria com uma certa austeridade. Diretores diferentes poderiam ter feito outras escolhas. Não estou dizendo que Guy Ritchie teria feito a versão “Snatch” deste filme, mas você tem que ter certeza de que você está na mesma página com o diretor antes de assinar o contrato.
Depp: Deus, sim. Você sabe o momento onde está o silêncio mais alto? É no primeiro dia que você faz uma cena e então ela acaba e há essa pausa. E aí você ouve “Uh, mais uma vez.” A cacofonia do silêncio naquela pausa. E você sabe, naquele momento, que as coisas não vão melhorar.
Edgerton: Eu tinha um amigo, literalmente no primeiro dia, ele vê um time de produtores indo ao diretor. E aí, como um time, eles vão até o ator e dizem, “nós vemos o personagem de uma forma diferente.” Dia 1, você abre sua boca e eles dizem, “Oooooh. É assim que você vai fazer isso? Nós precisamos ter uma reunião.”

Mas você não gosta de ensaiar, Scott, então como você tem certeza que não vai precisar convocar nenhuma dessas reuniões?
Cooper: Robert Duvall sempre diz, “Nunca tenha um mapa da estrada. Nunca saiba onde você está indo com uma cena, porque se você souber, então é isso que você faz nas aulas de atuação, ao invés de realmente encontrá-lo.”
E esses dois caras não ensaiaram. Eles me encontraram separadamente e nós conversamos sobre os personagens, comportamento e motivações. E no primeiro dia, nós rodamos uma cena onde esses dois cavalheiros se encontraram pela primeira vez no Mystic River. E você assiste a isso, você começa a ter a sensação de que você tem Joel Edgerton trabalhando ao lado de Johnny Depp, você tem John Connolly olhando para o homem em Jimmy Bulger que ele muito admirava. Eu nunca discuti isso com você, Joel, mas parecia isso, com você em pé ao lado, sem dúvidas, de um dos nossos grandes tesouros nacionais…
Depp: A Estátua da Liberdade.
Não o Monte Rushmore?
Depp: Não. Lincoln reclamou.
Eu vou dizer, rapidamente, que com muito ensaio, parece que as coisas se tornam um percurso. Ela anula a possibilidade do acaso, que eu acho que é a coisa mais bela que pode acontecer em uma cena. E eu me lembro da primeira cena com Joel e depois daquele primeiro take, eu pensei, “P***, isso é um maldito assassino.” Eu sabia que nossa jornada por esse caminho ia ser ótima juntos.
Edgerton: Eu só me lembro da tensão da primeira semana, colocando o terror de lado para que talvez o que eu estivesse fazendo pudesse ser apenas livre. A agenda pesada ajudou. Ele te livra de você mesmo. Eu meio que gosto de chegar em casa no final do dia, exausto ao ponto em que tudo que eu tenho a fazer é ir para a cama e acordar no dia seguinte. Isso mantém sua cabeça no filme, não que você esteja ficando no personagem, mas…
Depp: É uma coisa engraçada, Lee Strasberg, o método de Constantin Stanislavski, a técnica de Uta Hagen. Eu vi atores fazendo isso e isso me deixa fora de mim, porque eles vão lá e digamos que eles estejam reproduzindo Henry VIII. Eles vão para a casa e eles são o maldito Henry VIII. O que eu quero saber é se quando eles saem para pegar um saco de Doritos, eles são Henry VIII? Se essa é sua coisa, cumpra-a. Se você vai viver isso, viva.
Pegue uma coxa de peru, não um saco de Doritos!
Depp: Pegue a droga da coxa de peru, uma droga de uma sopa de aveia e ofereça pra alguém!
Edgerton: “Sim, senhor, eu tive que cortar a cabeça dela fora. Mas há uma razão. É um pequeno filme. Foi para Sundance…”
Depp: “E ela parecia quase como o personagem.” Mesmo no contexto de cenas que são mais escuras, você precisa de uma abordagem solta e que permita a possibilidade do acaso. Você tem que se divertir. Se você não se diverte fazendo isso, você está na profissão errada.

Los Angeles Time
Sessão de Fotos
Trad. por Jaquee/forum DeppLovers


3 Responses to “Entrevista ao LA Times 19/11/2015 – Black Mass”

Rosa Maria

Obrigada Jaquee! Uma delícia ouvir esses meninos! Muita criatividade, muita cultura, e informações importantes! Valeu!

November 21, 15 • 5:15 pm


Liu

Que entrevista incrível! Feras admiráveis! Obrigada, Jaquee!

November 21, 15 • 5:51 pm


Cy

Papo maluco rsrsrsrs

November 21, 15 • 6:54 pm


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