Entrevista de Johnny Depp para InStyle Russia – Edição Fevereiro 2018

Johnny está na edição de Fevereiro de 2018 da revista russa InStyle!

Ele foi fotografado por Jean-Baptiste Mondino para a campanha de lançamento do Sauvage da Dior.

A campanha Sauvage foi um enorme sucesso no mundo todo. Como foi trabalhar no set?
Johnny: Foi uma experiência interessante e eu tive a mais linda das impressões. Tem sido um tanto estranho também – ver outdoors com minhas fotos, quase como uma alucinação.

Existe alguma parte do Johnny Depp de verdade nas imagens criadas por Jean-Baptiste Mondino para Dior Sauvage?

Johnny: Quando Jean-Baptiste olha pra você ele meio que disseca você: Ele remove camada por camada até ele encontrar algo interessante. É assim que ele descobre a essência de uma pessoa.
O lobo, por exemplo, está lá de propósito. O lobo é solitário, e uma parte de mim continua indo atrás da solidão. Eu sempre tento evitar multidões.

Então você é um solitário também?
Johnny: Eu só gosto de ficar na sombra. Eu sou muito tímido e Jean-Baptiste entendeu isso. Eu fico mais confortável em um personagem do que sendo eu mesmo. Se eu tivesse que levantar e fazer um brinde seria um desastre, mas quando um diretor diz “AÇÃO”, o mundo fica aos meus pés. Eu posso fazer o que eu quiser por trás da câmera.

Quem você também gostaria de interpretar? Tem algum herói histórico ou contemporâneo que o inspira?
Johnny: Existem algumas pessoas que me inspiram, tem livros que me deixam maluco. “O Apanhador no Campo de Centeio”, por exemplo. Mas ninguém deve ver Holden Caulfield nas telas. Apenas deixe-o viver na imaginação dos leitores e ser o personagem que Salinger criou. Existem grandes pessoas por aí que devem permanecer as mesmas. Picasso,por exemplo, é um deles. Você não consegue mostrar sua grandeza em um filme. Ou, “On the road – Pé na Estrada” de Jack Kerouac. Aquele livro foi minha bíblia na infância e ainda significa muito pra mim, mas eu nunca imaginei que pudesse virar um filme. Eu nunca assisti o filme que fizeram embora eu conheça o diretor, Walter Salles, e ele é um homem maravilhoso. O protagonista Sal Paradise é o próprio Jack Kerouac, e você não deve visualizar ninguém mais em seu lugar. Em outras palavras existem pessoas e livros que seria melhor não serem tocados.

Como você escolhe o filme que quer estrelar?
Johnny: Eu normalmente consigo visualizar o roteiro depois das primeiras dez páginas. Na verdade, pra mim, as primeiras três ou quatro páginas já são o bastante pra entender se eu sou a pessoa certa para o papel. Eu escolho filmes nos quais eu possa trazer algo novo em termos de atuação e interpretação do personagem. Se algo me comove ou se a trama me empolga, então eu já começo visualizar as imagens na minha mente, e em nove de dez casos, as primeiras idéias acabam sendo as corretas. Kerouac disse: “O primeiro pensamento é o melhor pensamento.” Hemingway também pensava assim. Quando ele foi questionado sobre como ser um grande escritor ele respondeu: “Escreva uma única frase verdadeira”. Parece fácil, mas venha tentar.

Você alguma vez escreveu qualquer coisa para seus próprios personagens?
Johnny: Eu venho reescrito minhas próprias falas à anos. Às vezes o roteiro é perfeito na folha mas então, já no set, acaba virando inapropriado já que pessoas da vida real não falam ou interagem daquele jeito. Então eu mudo algumas partes com frequência, e no caso de Jack Sparrow eu basicamente reescrevi tudo. Eu desisti de ler as anotações do roteiro. Eu não quero saber com antecedência onde eu devo me posicionar ou o que devo fazer em uma cena. Tudo no set deve acontecer de forma natural.

Você é descrito como “cool” (“legal”) com frequência. O que essa palavra significa pra você?
Johnny: Eu sempre achei que a coisa mais legal é ser você mesmo. Patti Smith é legal por ser honesta e verdadeira. Iggy Pop é legal e verdadeiro, assim como foi Jim Morrison, Marlon Brando e Hunter S. Thompson. Hoje um cara me disse que tornou-se voluntário para ajudar crianças com HIV. Isso é o que coragem de verdade significa. Sua história me comoveu tão profundamente que até nos abraçamos. Eu trabalho bastante com a fundação Make-A-Wish, uma organização de caridade que ajuda a realizar os desejos de crianças com doença em fase terminal. Elas estão em situações horríveis, sofrem severamente, mas não se vê medo em seus olhos, você só consegue ver bravura e coragem. E sim, isso é muito legal pra mim.

Traduzido por Jay para o Depp Lovers (a partir da tradução do russo para o inglês de IG jamesbeetlejoyce, concedida ao fansite italiano IFOD).
Favor dar os créditos ao repostar.

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