Jonnny Depp sobre “Os Crimes de Grindelwald” e seus personagens mais icônicos.

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bruniisf
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Jonnny Depp sobre “Os Crimes de Grindelwald” e seus personagens mais icônicos.

Mensagem por bruniisf » Qua Out 10, 2018 9:05 pm

Favor creditar ao DeppLovers ao repostar a tradução

No Festival de Zurique, Johnny Depp fez os fãs mais jovens gritarem e berrarem como eles sempre fizeram. Os fãs mais velhos também estavam tentando ter um vislumbre do ator que conhecem melhor como Capitão Jack Sparrow, um dos personagens mais amados do cinema.

Como a maioria de nós, eles não se importavam muito com seu novo filme Richard Says Goodbye, mesmo que ele dê sua excentricidade ao papel de professor universitário com doença terminal. *Depp does not phone in his portrayals*e é uma alma criativa de coração. Aqui ele discute a criação de seus icônicos personagens perturbados como Capitão Jack e Edward Mãos de Tesoura, bem como suas últimas encarnações, Richard e Gellert Grindelwald. Seu professor universitário quase sempre tem uma bebida na mão e balbucia suas palavras, então ele está claramente canalizando o Capitão Jack. Embora haja um pouco de Rochester lá também. Alguém viu O Libertino?

Depp também fala sobre seu próximo filme a ser rodado, Waiting for the Barbarians.

O que te desperta interesse quando se trata de roteiros e personagens? O que um roteirista precisa fazer para obter o seu interesse?

Johnny Depp: Você quer ser surpreendido por alguma coisa. Você procura algo que não é necessariamente baseado em algo, algo que não é totalmente estereotipado. Você procura por um personagem que alguém escreveu meticulosamente e lhe ofereceu para interpretar. O que eu ganho com isso é o trabalho verdadeiro. Criando e construindo um personagem, e tentar fazer algo que não tenha sido feito até a morte, talvez isso seja um pouco diferente. Há um pouco de risco nisso, mas isso também é algo extremamente importante para um ator. Entrar nessa e fazer a mesma coisa toda vez e toda vez em todo filme e todo personagem é essa versão de si mesmo e todos esses personagens são versões de mim mesmo. Eu acho que é preciso tentar alguma coisa e encarar a possibilidade de dar de cara no chão.

Então correr riscos é importante?
Depp: Se você não explorar completamente, se dedicar totalmente ao personagem, com a visão do diretor, com a sua visão e com a visão do autor, eu sinto que eu devo às pessoas tentar algo porque eu odiaria te entediar. Então se eu não tentar algo que possa ser potencialmente desastroso, não sinto que estou fazendo meu trabalho. Eu prefiro quando os estúdios ficam com medo.

Em termos de estúdios ficarem assustados, há um Capitão Jack Sparrow em particular. Você poderia tê-lo interpretado como um pirata herói típico, mas você o transformou nesse personagem incrível e louco. Você pode nos contar como criou o Capitão Jack?

Depp: No roteiro original, o Capitão Jack foi escrito como um fanfarrão, um pirata que entra, meio que briga um pouco e depois sai, pega uma garota e pronto. Eu tinha ideias diferentes para ele. Isso soa estranho, mas o capitão Jack nasceu em uma sauna. Minha sauna. Eu estava olhando para vários aspectos do personagem e percebi que esse cara esteve em alto mar durante a maior parte de sua vida e, portanto, lidou com calor inescapável para o cérebro. Então eu liguei a sauna até cerca de 1000 graus e me sentei o máximo que pude até que ela começou a me afetar mentalmente. Estava muito, muito quente, assim como meu cérebro. Quando você está nesse tipo de calor, você não consegue ficar parado, mas o pior é que se você se mexer, te mata. Então isso me deu a ideia de que seu cérebro foi cozido até certo ponto. Também em termos de linguagem corporal, senti que quando ele estivesse no navio, estaria bem, já que o navio estaria indo embora. Ele teria “pernas para o mar”, mas quando estivesse em terra, ele não consegue ter “pernas para a terra”. Ele iria cambalear. A Disney discordou. Os produtores fizeram alguns comentários durante os testes de filmagem para maquiagem, cabelo e figurino quando eu apresentei o personagem. Eles ficaram tipo, “o que ele tá fazendo?” Então eu recebi telefonemas: “Você tem que tirar essas coisas estranhas e o que é essa ferida em seu rosto?” “O que está acontecendo?” “Ele está fora de si ou ele só está incrivelmente bêbado ou é bêbado?” Então minha resposta foi, “Desculpe, você não sabe que todos os meus personagens são gays?”.

Eles estavam desconfortáveis e eu disse a eles que eles eram bem-vindos para me demitir ou me substituir, se assim quisesse, porque eu não iria mudar o que eu tinha construído. Eu acreditava no que eu havia construído e eu acreditava no personagem de todo coração e eu senti que eu estava no caminho. Toda vez que eles reclamavam e eu via perifericamente os roteiros falando “Isso não está no roteiro. Isso não está no roteiro!” e eu podia ver todos esses rostos preocupados. Na verdade, isso me deu combustível para ir mais longe.

A próxima foi Michael Eisner, o cabeça da Disney na época, gritando a plenos pulmões, “Depp está arruinando o filme! Nós vamos ter que legendar. Ninguém consegue entender o que ele está falando. O que ele tá fazendo?”. Eu posso entender de onde eles estavam vindo porque o filme anterior deles era Country Bear Jamboree, do qual eu não fazia parte.

Piratas do Caribe se tornou uma das maiores histórias de sucesso da Disney e agora os parques de diversão da Disney se concentram nos passeios do Capitão Jack.

Depp: Foi algo completamente inesperado para mim porque eu essencialmente tinha uma carreira em termos de Hollywood e bilheteria, de 20 anos de fracassos. Ed Wood ou qualquer um desses filmes estranhos foi um fracasso para eles. Quando eu inicialmente pensei sobre o Capitão Jack, outra coisa a ter em mente é que eu tinha uma filha de 3 anos, Lily-Rose, então por três anos eu não vi nada além de desenhos animados como de Tex Avery. Assistindo esses desenhos você começa a pensar: por que os parâmetros são tão amplos? Por que quando o Coyote está perseguindo o Papa-Léguas e uma pedra cai em sua cabeça, você corta pra próxima cena e ele está com um pequeno curativo na cabeça? E as pessoas compram isso. Isso é suspensão de descrença. Crianças de cinco anos que amam o Pernalonga, pessoas com 25, 75 e 85 anos que amam esses personagens que conseguem se livrar de coisas que nós não podemos. Então essa foi minha abordagem. Como faço para fomentar esse tipo de performance em que pessoas de cinco à 85, 95 anos podem apreciá-lo porque ele representa um lado nosso que não podemos fugir no dia a dia. Ele pode dizer coisas que não fazem sentido e as pessoas dizem "Tudo bem". Então eu suponho que ele tenha a irreverência final e que era o que eu estava procurando e que encontrei.

Em Richard Says Goodbye, seu professor universitário está enfrentando a morte e começa a fazer coisas que ele não fazia antes de ser diagnosticado com uma doença terminal.
Depp: As coisas viram um pouco do avesso para Richard.

O que te atraiu para o papel:
Depp: Eu me encontrei com o diretor [Wayne Roberts] e essas reuniões geralmente duram uma hora e nós acabamos demorando nove horas conversando e discutindo abertamente. Eu pensei que o roteiro era lindamente tratado. É raro que, nos primeiros 30 segundos de um filme, o personagem principal receba a notícia de que ele está prestes a morrer a qualquer momento e que não há chance. Então o que eu amava sobre isso, ele nunca teve um momento para sentir pena de si mesmo. Eu acho que é uma coisa muito inteligente fazer para evitar fazer a pergunta, por que eu? Então, de uma forma estranha, ele estava fazendo as pazes com isso e, portanto, foi capaz de ter um senso de humor sobre isso e, em seguida, dizendo: "Eu não fiz isso antes, talvez eu deva tentar isso?" A notícia de sua morte iminente dá a ele a liberdade de viver, de dizer que este é a carta que recebi e eu vou tirar o melhor proveito disso. Se eu estivesse na mesma situação, faria exatamente a mesma coisa. Sair e viver, cara. Viver o máximo que eu puder, evitar amargura, conviver com as pessoas e ter bons momentos.

fonte: http://collider.com/johnny-depp-intervi ... tim-burton
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Re: Jonnny Depp sobre “Os Crimes de Grindelwald” e seus personagens mais icônicos.

Mensagem por Rosa Maria » Seg Out 15, 2018 1:13 pm

Johnny ama seus personagens. Não vejo a hora de conhecer o Richard. :SM120:
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DeppLovers, quatorze anos de carinho, admiração e respeito.

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