abril 12, 2016

Alice Cooper, Joe Perry na Turnê dos Hollywood Vampires: É sobre diversão!
Kory Grow para RollingStone – 12 de abril de 2016

Hollywood Vampires – o supergrupo apresentando Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry, entre outros – embarcarão em uma turnê de 18 dias pela América do Norte nesse verão, e isso significa só uma coisa para o cantor “Aparentemente, o Johnny não fará nenhum filme esse verão”, ele diz com uma risada. “Eu acho que ele ama tocar rock & roll mais do que ele gosta de fazer filmes. Ele diz que filmes são o trabalho diurno dele.”

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Desde que o grupo lançou o seu álbum áspero autointitulado no ano passado, uma coleção de músicas cover de artistas que Cooper chama de “amigos bêbados mortos”, que chegou ao Top 10 da lista do Billboard’s de música hard rock – os Hollywood Vampires deram apenas uma pequena amostra do que eles são capazes de fazer ao vivo. Eles tocaram em shows com muitos famosos no Los Angeles Roxy Theatre e também no megafestival Rock in Rio, no Brasil e eles estrearam uma música nova e original e pagaram tributo ao Lemmy Kilmister do Motörhead com uma performance escaldante no Grammy Awards em Fevereiro. Agora com o calendário dos músicos sincronizado e a adição de Robert DeLeo substituindo o baixista do Stone Temple Pilots, Duff McKagan, eles estão prontos para levar o show para as estradas. “Essa aqui é uma banda de verdade,” diz Cooper. “Nós realmente fazemos turnês e shows, discutimos, fazemos de tudo”. Ele ri.

O cantor e guitarrista Joe Perry conversou com a Rolling Stone no início de abril, em antecipação da turnê, que começa em Verona, Nova York, em 24 de maio, para discutir o que os fãs podem esperar da turnê.

O que as pessoas podem esperar nesta turnê?
Joe Perry: É realmente sobre nós nos divertindo. Obviamente, eu amo ver o público sendo entretido, mas me virar e ver essas pessoas tocando comigo, eu preciso aceitar. Nunca nos meus sonhos. E ter Matt Sorum e Johnny Depp e o Alice – eu já conheço o Alice por anos e anos, mas nós nunca realmente tivemos a oportunidade de tocar juntos. O Johnny já sentou algumas vezes com a gente em shows do Aerosmith, mas nós nunca tivemos a oportunidade de fazer algo assim. Então é realmente emocionante. Toda essa emoção é o que nós vamos trazer conosco para o palco e mostrar para o público.

Será um show teatral, como um show do Alice (Cooper)?
Alice Cooper: Eu não acho que precise ser teatral. Precisa ter o seu próprio sabor.

Perry: Será um show de rock bom. Eu não acho que nós entraremos em palco com bombas, fogos de artifício e tudo mais. Eu não acho que nós precisamos disso. E (o show) partirá da música, vamos apenas deixar a música falar por nós.

Joe, como você descreveria o Johnny Depp como guitarrista?
Perry: Ele adora blues. É só olhar a coleção de guitarras dele. Eu diria que a maioria das guitarras que ele deixa do lado de fora, prontas para tocar são velhas Martins dos anos trinta, quarenta e cinquenta, as antigas. Mas naquele filme Chocolat, onde o Johnny interpreta um cigano no rio, e ele está tocando violão em volta da fogueira e eles estão dançando. É ele mesmo tocando, não é um truque de câmeras. Quando eu descobri isso foi quando eu vi o quanto ele era bom. Ele pode sentar-se com, provavelmente, qualquer pessoa e os surpreender. Ele é muito bom.

Como você conseguiu Robert DeLeo como substituto para o Duff?
Perry: Cerca de uma semana antes de nós descobrimos que Duff estava indo fazer uma turnê com o Guns’n Roses, eu recebi uma mensagem do Robert. Eu o conheço desde logo após o lançamento do seu primeiro álbum. Ele veio até [meu estúdio], o Boneyard, e Steven e eu e ele passamos o fim de semana e escrevemos algumas músicas juntos. Eu não acho que nada do que escrevemos tenha sido lançado oficialmente, mas foi assim que nos conhecemos. E ele é um músico incrível. Então, quando eu opinei para ele preencher o lugar de Duff, todos falaram “Sim”. Ele é muito, eu diria, subestimado. Eu acho que ele surpreenderá a todos. Nós sentiremos a falta de Duff, mas acho que ele e o Matt se darão muito bem musicalmente. Eu acho que será uma ótima combinação.

Quem mais vocês consideraram como baixista?
Cooper: Eu estava sugerindo John Paul Jones. Ele não está fazendo nada. Ou Geezer Butler. Ele poderia ser bom também, mas o Black Sabbath estão em sua última turnê. E há sempre aquele tal de McCartney. Ele toca baixo, né?

Quais músicas vocês estão ansiosos para tocar na turnê?
Cooper: Praticamente tudo o que está no CD. Vai ser “My Generation” e “I’ve Got a Line on You”. E haverá três ou quatro canções originais: “Dead Drunk Friends”, “Raise the Dead” and “Bad as I Am”. Eu acho que “Bad as I Am” se enraizou durante a nossa performance nos Grammys. (Grammy Awards). Ela foi número dois na parada de hard rock.

Perry: “As Bad as I Am” realmente se destaca para mim. É uma canção de rock & roll muito poderosa. E eu também amo tocar qualquer coisa feita pelo The Who, especialmente “My Generation”. Com essa banda, é sensacional.

Vocês adicionarão algumas músicas cover?
Cooper: Nós não tínhamos músicas do Bowie no set, e agora que ele faleceu, nós teremos. E provavelmente manteremos “Ace of Spades”. Se o Lemmy ainda estivesse vivo, nós teríamos pedido para ele participar da banda quando o Duff teve que sair.

Quais músicas do David Bowie vocês gostariam de tocar?
Cooper: Nós não faríamos as coisas de dança. Nós voltaríamos para “Rebel Rebel” e “Suffragette City”, porque essas músicas eram ótimas. Mesmo que nós tenhamos sido concorrentes nos anos 70, eu sentava e escutava os álbuns e falava “Uau, esse cara é bom”. Você o absorve e isso se torna parte da sua vida como qualquer outra coisa. Na verdade, se você escutar “Suffragette City”, são os mesmos acordes que em “Under My Wheels”. Nós costumávamos tocar “Under My Wheels” e no final eu cantaria, “Suffragette City” em vez de “Under My Wheels”.

Há uma frouxidão para a forma como você toca suas músicas.
Cooper: É isso. Toda banda que já ficou famosa foi uma vez uma banda de bar. A banda de bar que tocava quatro horas por noite e teve que tocar “Mustang Sally” e todas as músicas para dançar já existentes, e é assim que uma banda fica boa. É uma antiga tradição ao voltar a isso e ser uma banda de bar novamente, só que nós somos uma banda de bar bem grande.

Vocês são uma banda de bar que tocam no Barclays Center.
Cooper: Não é uma banda de bar ruim ali. E qualquer um pode ir lá e tocar. Se Jimmy Page estivesse aqui, eu diria “Você quer tocar na ‘Train Kept-a-Rollin’? Chega mais!” Qualquer um que está nessa época ou que fez seu nome fazendo isso, eu iria absolutamente os incluir a qualquer hora, porque você sabe que eles podem entrar e tocar qualquer música que você colocar. Eles não são novatos e nós temos uma língua em comum. Você diz “Back in the U.R.S.S” e todo mundo conhece a canção.

Vocês tem gravado novas músicas?
Perry: Eu espero que a gente consiga fazer algumas antes de sair pra turnê. Mas mesmo se não o fizermos, nós certamente temos músicas suficientes entre o álbum deluxe do Vampires e, hey, nós somos livres para tocar o que quisermos.

Cooper: O engraçado é que agora eu estou compondo para o meu novo álbum. E estamos também compondo para o álbum dos Vampires. Portanto, há duas coisas separadas acontecendo. Toda vez que eu tenho uma idéia que não se encaixa muito bem para o meu álbum, eu penso “Vamos direcionar isso mais para os Vampires”. Mas acho que o Johnny e esses caras estão sempre trabalhando lá, e todo mundo na banda está sempre compondo. Então, quando nos reunimos, todo mundo põe um monte de coisas na mesa e fala “o que se encaixa?”.

Com tantas grandes personalidades na banda, como vocês esperam que irá ser a viagem?
Cooper: Poderia valer a pena documentar. A parte divertida disso tudo é que quando eu disse que nós discutíamos, antes, eu estava brincando. Eu nunca ouvi uma discussão. Até mesmo nos ensaios. Você pensaria que existiriam problemas de ego no processo, mas não tivemos nenhum problema com ego durante o processo todo. Acho que todo mundo está feliz por fazer isso porque é divertido de se fazer.

Perry: Nós todos teremos nossos próprios ônibus, mas tenho a sensação de que haverá um monte de trocas para passarmos tempos juntos dependendo do percurso. Somos todos amigos. E a turnê é bem intensa. Isso nos dará algum tempo pra curtir a companhia um do outro. Então, estou realmente ansioso por isso. Vamos ver como irá ser.

Tradução Amanda Ciliberto para DeppLovers.

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