February 7, 2016

Johnny Depp se lembra de encontrar Jack Sparrow na sauna e de torturar Leonardo DiCaprio

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A estrela de “Aliança do Crime” recebeu o prêmio Maltin Modern Master do Santa Barbara Film Festival na noite de 04 de Fevereiro de 2016, e conversou mais de duas horas sobre sua carreira.

SANTA BARBARA, California – Foi um prazer raro para aqueles que conseguiram ingressos da quinta-feira à noite para a apresentação do prêmio Maltin Modern Master dado a Johnny Depp no início da 31º edição anual do Santa Barbara Film Festival deste ano. Afinal, a estrela de “Aliança do Crime” nunca faz esse tipo de coisa, um bate-papo de duas horas e meia sobre sua carreira com uma abundância de anedotas e até mesmo um toque de impressões certeiras de Marlon Brando, Al Pacino e Donald Trump.

“Estou morrendo de medo,” Depp disse no começo da discussão, moderada pelo crítico de cinema Leonard Maltin, a quem a mais alta honra do festival homenageou utilizando seu nome no ano passado.

Maltin começou observando que poucos esperavam que a estrela da série de TV “21 Jump Street” um dia se imergiria no papel do mafioso implacável James “Whitey” Bulger. “Isso é uma viagem,” disse Martin sobre a trajetória tão improvável.

Depp falou depreciativamente sobre seu tempo na série, onde ele era uma propriedade que pode ter visto uma nova e estimulante vida nas mãos dos diretores Phil Lord e Christopher Miller nos últimos anos, mas era evidente, para Depp, que ele estava no caminho errado desde o início.

“Naquela época, você tinha essa idéia de uma estrada, e ‘eu vou fazê-la ser minha'”, disse Depp. “Quando você está confinado à uma série de TV e você tem que fazer este personagem, isso pode te deixar maluco. Mas isso não me afetou. Eu saí a tempo. Eu não queria ser um vendedor. Acho que é o que era. Então, eu tentei muito ser demitido.”

Foi quando o cineasta John Waters veio até ele com o script de ‘Cry-Baby”, de 1990, que ele finalmente começou a ir pela trajetória que ele desejava. Mas as coisas realmente foram à alta velocidade quando ele foi à uma reunião em um café com o diretor Tim Burton.

“Foi instantânea,” ele diz sobre sua conexão com o cineasta, que dirigiu Depp em filmes como “Edward Mãos de Tesoura”, “Ed Wood” e “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” – este último dando a ele uma indicação de Melhor Ator no Oscar de 2008. “Seu cabelo parecia que tinha acontecido uma explosão em uma loja de ferragens e ele estava mastigando sua colher. Quando eu entro em um grupo, eu sei que é este o cara com quem estou conversando – mesmo se não for Tim Burton.”

Um dos clipes apresentados durante a noite, foi de “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador”, de 1993, notável pela junção nas telas de Depp e outro membro importante da temporada de premiações deste ano, Leonardo DiCaprio.

“Foi um momento difícil pra mim por alguma razão,” disse Depp sobre trabalhar no filme. “Era miserável na maioria do tempo. Você não pode realmente dizer se o que você está sentindo no momento é uma coincidência. Eu tinha que ser daquele jeito pro filme?”

Ele continuou: “Eu respeito muito o Leo. Ele trabalhou muito duro naquele filme, pesquisando e aparecendo pronto pra trabalhar – e eu o torturei. Eu realmente fiz isso. Ele estava o tempo todo falando desses video-games. ‘Não, eu não vou te dar um trago do meu cigarro enquanto você esconder da sua mãe de novo, Leo,’ [Eu diria].”

Grande parte da conversa prosseguiu dessa forma, Depp metodicamente, e muitas vezes descaradamente criando seu caminho através de histórias com pequenos apartes aqui e ali. Isso criou uma atmosfera única, a medida que fãs na plateia, muitas vezes gritavam sentimentos de solidariedade para o palco, a princípio por diversão. (Uma fã do sexo feminino ainda tentou fazer um canto “John-ny! John-ny!” acontecer antes do show começar.)

A medida que a estrela se movia através dos estágios iniciais de uma carreira que lhe permitia investir profundamente em seus personagens, ele conheceu um ícone que se tornaria um mentor: Marlon Brando. Depp estava animado de trabalhar com o famoso ator em “Don Juan DeMarco”, de 1994, ele disse, porque ele “realmente gostava da ideia de trabalhar ao lado de Marlon Brando e de ser o louco.”

Três anos depois ele dirigiu Brando em um filme que foi exibido no Festival de Cannes e estreou teatralmente no exterior, mas nunca viu a luz do dia nos EUA, porque ele detém os direitos do território-americano: “O Bravo”, de 1997. O que solidificou sua decisão de mantê-lo sob sete chaves, foi quando, ao saber da morte de Brando em 2004, ele foi abordado sobre lançar o filme enquanto o ferro ainda estava quente. “Para ele ser encarado como uma novidade ou uma aberração, eu disse, ‘de jeito nenhum'”, ele lembra.

Dito isso, ele fez um pacto em um aperto de mão com Maltin para exibir o filme para o público do Santa Barbara Film Festival no ano que vem. Vamos ver se ele cumprirá isso.

Também em 1997, Depp estrelou ao lado de Al Pacino, outro em uma linha de lendas com quem ele pareceu estar genuinamente tocado por ter a honra de ter colaborado, incluindo Vincent Price, Martin Landau, Christopher Lee e muitos outros. Embora ele tenha ficado intimidado por dividir a tela com outros titãs.

“Marlon só gostava de se divertir, e eu também, então eu pensei, ‘de jeito nenhum eu vou ter essa sorte duas vezes'”, ele lembra. “Esse cara vai me ‘detonar’, porque ele parece o tipo de cara que te destrói (referindo à atuar). Se tem alguém que vai ser “detonado” (na atuação), não é o Al Pacino.

“Donnie Brasco” foi lançado sem problemas, embora, tenha deixado Depp com o temor não só pelo talento de Pacino, mas também de, digamos, sua disposição única. Ele realmente pensou que o ícone de “O Poderoso Chefão” era comprovadamente insano, e até tomou um momento entre takes para contar isso à ele, levando a uma das histórias mais engraçadas da noite.

“Eu contei a ele a parte certificável e em um timing perfeito, ele disse ‘Ah, sim. Você não sabia disso?”. Depois de um segundo, Depp lembrou-se, Pacino disse precisamente: “Hey, sabe, então, você mesmo é estranho pra c*ralho”.

A conversa eventualmente foi pra uma das mais icônicas performances de Depp, como Capitão Jack Sparrow na franquia de “Piratas do Caribe”. Ele disse que demorou cerca de 37 segundos para ele concordar com o papel, principalmente porque ele tinha acabado de ter uma filha e tinha passado grande parte de três anos assistindo desenhos. Ele queria ver se conseguia traduzir algo daquilo para a sua performance.

“O papel teve um efeito muito forte sobre mim, como eles poderiam fugir com as coisas e nós comprarmos elas onde isso é absolutamente ok, quando Wile E. Coyote entra com um band-aid em sua cabeça depois de ter uma pedra gigante caindo sobre ele,” disse Depp. “Eu não sei porque eu disse ‘estou dentro’, mas eu disse. E isso realmente diz tudo por mim.”

Daí, ele acrescentou brilho após brilho para o personagem. Sparrow foi originalmente escrito como um espadachim que “entra e salva o dia,” disse Depp, mas ele queria ir além. “Vamos lá, gente,” lembrou-se de dizer para a Disney. “Você não tem mais que subestimar seu público. Vamos tentar algumas coisas.”

O tipo físico peculiar do personagem veio a sua mente na sauna. Ele decidiu retratar um marinheiro que parecia não ter suas pernas quando em terra, sofrendo algo semelhante a um “golpe de calor que não vai embora com tanta facilidade,” ele disse. “Para ser capaz de manter as coisas dessa forma na minha cabeça quando eu vou fazer um filme para a Disney, isso é como se infiltrar no campo inimigo!”

O alcance de Sparrow como ícone continua a surpreender Depp. Ele se lembrou de estar filmando “Inimigos Públicos” de Michael Mann em uma prisão de Illinois e caminhando pelo bloco com o diretor, ouviu um cara em uma cela distante, “Capitão Jack! Tire-nos daqui, cara! Mate esse careca filho da p*ta do seu lado!”

O papel de Capitão Jack Sparrow deu-lhe uma de suas três indicações ao Oscar, mas uma performance que não trouxe reconhecimento da Academia, no entanto, foi seu trabalho em “Aliança do Crime”. O diretor do filme, Scott Cooper, estava pronto para o prêmio, e até ele fez um comentário sobre a omissão.

“Ele ama seus fãs e acho que faz isso pelos fãs,” disse Cooper. “Ele não faz isso para ganhar prêmios. Esse prêmio é o Modern Master Award, o que ele realmente é, mas eu acho que é para o ator mais negligenciado do ano.”

(Kristopher Tapley para Variety)

Tradução DeppLovers

Matéria original Variety


One Response to “Johnny se lembra de encontrar Jack Sparrow na sauna e de torturar Leo DiCaprio”

Heleusiane

Tudo bem bom!!!!Cooper disse a maior verdade do ano: Johnny foi SIM o ator mais NEGLIGENCIADO deste ano mesmo!!!!

February 13, 16 • 11:22 pm


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