A Chave do Bau

Um herói insólito em Piratas do Caribe: o Baú da Morte


Luís Antônio Giron

Um herói insólito em Piratas do Caribe: o Baú da Morte

Tudo poderia virar mais um sucesso infanto-juvenil com jeitão de déjà vu na temporada de férias. Um filme de pirata, gênero fora de moda, com base na atração da Disneylândia, lançada em 1967, naufrágios e lutas de espadas. Mas o primeiro Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, dirigido por Gore Verbinski, tornou-se um arrasa-quarteirão em 2003. O êxito foi tamanho que virou trilogia. A segunda parte, O Baú da Morte, estreou no dia 7 nos EUA, com bilheteria recorde e chega aos cinemas do Brasil na sexta-feira 21. A razão do sucesso está no Capitão Jack Sparrow, vivido por Johnny Depp. É um pirata de moral ambígua, que simboliza um anseio heróico por liberdade. O achado de Depp não foi dar ao pirata uma cara de roqueiro, capaz de enfrentar forças sobrenaturais, de abrir um baú mágico e até de despertar a libido da nobre mocinha (Keira Knightley), noiva do amigo (Orlando Bloom). Mais do que isso, o ator subverteu o papel do pirata. Sparrow é um oponente da burocratização da exploração marítima, representada pela Companhia das Índias Orientais – paródia das corporações atuais. Não observa regras de honra, etiqueta ou higiene. Cospe nas ambições, dialoga com os mortos e dá piruetas que afrontam o bom senso. No mundo de hoje, Sparrow parece uma figura fantástica. Depp é um ator capaz de vestir muitas máscaras e de alterar as tramas. Para isso, faz gestos acrobáticos e expressões que podem lembrar os mestres da comédia Charles Chaplin e Harold Lloyd. Seu Capitão Sparrow já virou um clássico do inconformismo.