novembro 12, 2015

Por Alessandro Giannini
O Globo| 17:36h | 11.NOV.2015

Reconhecido agregador de plateias, Johnny Depp não significa um selo de qualidade indiscutível. “Aliança do crime”, de Scott Cooper, comprova a tese com folga. O filme traz o ator no papel de Jimmy “Whitey” Bulger, chefão da gangue irlandesa que varreu a máfia italiana do sul de Boston e dominou a região dos anos 1970 até meados dos anos 1990. A narrativa se concentra neste período, mostrando como Whitey forneceu informações para o FBI em troca de uma certa imunidade nos seus “negócios”.

Como um mestre dos disfarces, Depp se transforma completamente e assume a persona do gângster psicopata. Uma sequência em especial, logo no início do filme, diz muito a respeito do poder hipnotizante que o ator exerce quando está em cena. No café da manhã, o filho de Whitey conta que foi repreendido por bater em um colega da escola. “Seu erro foi ter feito isso na frente de testemunhas”, diz o pai, sob o olhar reprovador e assustado da mãe. “Aquilo que ninguém vê não acontece”.

Além de Depp, “Aliança do crime” reúne um elenco de ótimos atores. A começar por Benedict Cumberbatch (O Sherlock Holmes da série da BBC), que faz o papel do ilustre irmão de Whitey, o senador Billy Bulger. Há ainda Kevin Bacon, como o agente federal Charles McGuire, Peter Sarsgaard, como o assassino de aluguel Brian Halloran, e Joel Edgerton, que interpreta o agente John Connolly, amigo de infância do gângster e elo com os federais.

Sozinho ou acompanhado, Depp abre um clarão e a tela se ilumina. As exceções são Cumberbatch e Bacon, que mesmo em papéis secundários ainda exercem sobre o espectador aquele esperado magnetismo. Esse desequilíbrio entre os atores resulta de uma falta de balanço na direção.

O ex-ator Cooper, que está no terceiro longa da carreira como diretor, investe tudo no seu protagonista. E aposta pesado também em artifícios como a reconstituição de época ou a trilha sonora, ambos aspectos irretocáveis do filme.

É muito diferente de nomes como Martin Scorsese ou Sergio Leone, para citar dois cineastas que criaram assinaturas próprias no gênero “filmes de máfia”. Ambos atraem o olhar para o conjunto da narrativa, abrindo espaço para os atores brilharem de forma equilibrada.


3 Responses to “Mestre do disfarce”

Liu

Bravo!

novembro 13, 15 • 10:19 am


Luzmarilda Arantes

“Como um mestre dos disfarces” Um verdadeiro camaleão.

novembro 14, 15 • 6:01 pm



I think the CG works for this movie. To me there is nothing wrong with CG or even 3D, as long as its eepyolmd properly and used to benefit the story and not because you want to attract potential customers. Dennis

dezembro 11, 15 • 10:56 pm


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