August 10, 2015

Se você fosse uma noite qualquer durante a década de 70 ao Rainbow Bar and Grill em Los Angeles, no andar de cima você teria encontrado um clube dedicado à bebida, com a presença de alguns dos roqueiros mais famosos do mundo. Fundado pelo presidente do clube, Alice Cooper , eles se chamavam The Hollywood Vampires. Keith Moon do The Who, Harry Nilsson e Bernie Taupin foram assíduos, enquanto John Lennon e Ringo Starr estariam por lá se eles estivessem visitando a cidade. Mais de 40 anos depois, Alice Cooper se encontrou tendo uma conversa com Johnny Depp sobre a conceitualização dos Hollywood Vampires em um álbum, honrando os lendários membros do clube, na forma de um supergrupo com colaborações especiais para o projeto.

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Digital Spy esteve com Alice para conversar sobre os dias de ouro do rock, sobre como o clube para beber ironicamente o ajudou a superar seu vício em álcool, e por que ele acha que as bandas de rock de hoje não têm o mesmo tipo de dedicação que eles tiveram na época.

Você tem um novo álbum saindo, mas desta vez como parte dos Hollywood Vampires.
“Foi uma daquelas coisas onde percebemos que – não importa em que banda você está;… Os Beatles, os Stones – cada banda foi uma banda cover uma vez. Todos começamos em bares e todos nós começamos tocando música de outras pessoas. Então eu disse, ‘Por que não fazermos um álbum dedicado ao nosso clube, os Hollywood Vampires’? “No início dos anos 70 costumávamos ir para o Rainbow a cada noite; Keith Moon, Harry Nilsson, e John Lennon quando ele estava na cidade, e era apenas um monte de caras que eu encontrava lá, todas as noites, até o último homem de pé. Todo mundo estava no auge de suas carreiras naquele momento, mas agora há apenas três de nós vivos. A maioria dos caras, John, Jimi Hendrix, Jim Morrison se foram, então eu disse: ‘Vamos fazer um álbum dedicado a todos os nossos amigos bêbados mortos’.

E você tem no álbum a nova faixa “‘Dead Drunk Friends”que presta diretamente homenagem a eles.
“Sim, foi uma espécie de canção de bar. Este vai para a tripulação, este vai para as esposas, este vai para todos os nossos amigos bêbados mortos.”

Como presidente dos Hollywood Vampiros lá nos anos 70, como você surgiu com esse nome?
“Sim, eu achei que era o sangue do vinho e não o sangue das veias. Nós ficávamos acordados a noite toda e, muito raramente qualquer um de nós era visto durante o dia, então eu disse: ‘Nós somos como vampiros, exceto que nós não bebemos sangue, nós bebemos álcool “. Era um tipo de prisão. Eles nos deram um quarto no andar superior e lá em cima era uma espécie de esconderijo dos vampiros. Era realmente para alguém que vinha para a cidade e que fosse um bebedor. Qualquer um que estivesse no rock and roll sabia onde ficava o clube de beber.

Para se juntar ao clube a pessoa tinha que beber mais que os outros membros, mas alguém falhou no início?
“Bem, eu não acho que qualquer um de nós teria sido capaz de beber mais que Harry [Nilsson]. E ninguém poderia ficar tão apagado como Keith Moon! Mas êle pode ter usado alguma coisa a mais que apenas o álcool.”

Johnny Depp veio com a idéia para o tributo, há três anos, mas o que instigou a primeira discussão sobre isso?
“Bem, eu estava fazendo Dark Shadows com ele em Pinewood, e uma noite, decidimos que iríamos tocar no 100 Club da Oxford Street. Tantos grandes músicos tinham tocado lá, e eu disse, ‘Eu quero ser um daqueles músicos que tocam no 100 Club’. Por isso fomos, e nós convidamos Johnny para ir porque sabíamos que ele era um bom guitarrista. Nós tocamos apenas pedidos toda a noite. Nós apenas queríamos ser uma banda de bar novamente, sem todo o brilho e glamour. Foi divertido voltar a tocar apenas músicas de outras pessoas. Então, Johnny disse: ‘Se nós conceituarmos isso, e o transformarmos em uma dedicatória a todos aqueles caras que realmente na prática nos ensinaram tudo “- embora nós bebessenos com eles, eles ainda eram os nossos irmãos mais velhos -” então podemos realmente incluir todos que nos influenciaram”.

Então, quando você fizer seus shows com os Hollywood Vampires, você vai manter esse estilo de banda de bar?
“Sim, isso não vai ser uma coisa glamourosa, chamativa. tipo Alice Cooper, porque não é um álbum de Alice Cooper, é um álbum dos Hollywood Vampires. Eu sou apenas um dos cantores. Mas todos que foram chamados queriam estar lá. Liguei para Brian Johnson do AC / DC e disse: ‘Ei, você quer cantar nisso?’, E ele disse, ‘Sim, absolutamente “. Dave Grohl tocou bateria em um monte de coisas, e Zak Starkey também tocou um monte de coisas. Uma vez que a informação saiu, todo mundo queria estar no álbum. Paul McCartney, é claro, veio e tê-lo lá foi o grande e gigantesco fechamento.”

Eu ia dizer que deve ter sido um desafio conseguir envolver todos esses grandes músicos, mas parece que foi fácil.

“Foi a coisa mais divertida. Nunca houve um mínimo de pressão. Todo mundo estava lá apenas para se divirtir. Qualquer um que entrava, olhávamos para ele e dizíamos: ‘O que você quer fazer?’ Foi solto! Foi realmente muito, muito casual e foi muito bom. O álbum apenas rolou.

Havia uma tal riqueza de material a escolher para este projeto, como você decidiu quais músicas entrariam?
“Honestamente, ninguém disse que tem que ser isso, ou tem que ser aquilo. O mais difícil, eu acho, era o material de Harry Nilsson. Ele não era necessariamente um hard rocker, mas as músicas só tinham de ser tratadas de forma diferente. Tiramos ‘One’ e, em seguida, entrou ‘Jump Into The Fire’ e depois, no final alguém começou a tocar “Put the Lime in the Coconut “, sentindo como ele se encaixava.’ One ‘foi muito complicado porque era muito pop e assim quando Johnny entrou com Dave Grohl e eles recolocaram guitarra e bateria nele, deu-lhe muito mais vida. Então eu decidi que eu ia canta-lo como o assustador Alice, e fazer uma letra muito pop soando mais atual, parecendo um pouco mais ameaçador. A idéia realmente funcionou!”

Sir Christopher Lee abre o disco, o que é ainda mais pungente agora depois que ele faleceu no início deste ano. Deve ter sido ótimo trabalhar com ele uma última vez.
“Você sabe, eu acho que foi a última coisa que ele gravou. Há uma parte da fita que estávamos ouvindo, quando ele estava lendo Bram Stoker e em um ponto que diz “Que tipo de música que eles fazem, as crianças da noite ‘, e então você o ouve dizer ao engenheiro,” Tenho medo de pensar o que Alice vai fazer com isso.’ Eu disse, ‘Nós temos que manter isso, isso é ótimo’.”

Então, se você pudesse voltar atrás e dar ao Alice Cooper que estava nos Hollywood Vampires um conselho, qual seria e por quê?
“Homem Aww, Eu vou te dizer a verdade, eu sempre acho que eu iria dizer, ‘Wow, não se torne um alcoólatra. ” Mas, em seguida, passar por essa experiência alcoólica, especialmente com aqueles caras, foi um aprendizado. O fato de que eu passei por isso e saí bem do outro lado, é algo que me deu muita força mais tarde. Eu pensei que se eu pude passar por isso … porque eu era um alcoólatra clássico – não havia praticamente nada que iria me parar esse ponto.
“Foi uma escolha entre viver e morrer, e meu médico disse: ‘Olha, você pode ir e se juntar ao resto dos vampiros que passaram, ou você pode fazer mais de 20 álbuns. É melhor porém, você fazer a sua decisão em três semanas, porque isso é quanto tempo você tem. ” Eu tomei a decisão de que eu prefiro fazer álbuns. A finalidade disso, que é muito poética, é que eu decidi não morrer como os outros caras, e acabei por honrá-los através deste álbum. Então havia uma dupla razão para parar de beber.”

Você acha que as novas bandas de rock de hoje estão lutando para se conectar com o público na mesma escala que essas bandas fizeram no seu auge?

“As bandas não parecem decidir, ‘Nós não vamos parar até que se decida: quer ou não quer fazer? ‘ Eles parecem ficar juntos por um pouco de tempo e, em seguida, apenas se vão, ‘OK, isso é o suficiente’ e seguem em frente. Eles não se dão tempo para ficar bons. É um álbum e acaba, e você vai embora, ‘ Gente, você tem que fazer cinco álbuns antes de você realmente conseguir algo ‘. Havia uma ética diferente de trabalho entre os Bowies e as Alice Coopers para agora. “Naquela época tudo era sobre: as canções são boas? O quanto o show é bom? Era isso. Você fazia um álbum e, em seguida, você excursionava, e então você fazia outro álbum, e viajava. Você não tocava por tocar – era realmente sua vida. Havia apenas bandas que foram condenadas à prisão perpétua. Como Mick Jagger e os Stones, todos os caras ainda lá fora, como os Jimmy Pages e Jeff Becks. Tudo o que eles querem fazer toda a vida é tocar sua música. Eu era um desses caras. ”

O novo álbum intitulado “The Hollywood Vampires” será lançado em 11 de setembro, com um punhado de shows programados para este Outono. Todos os rendimentos dos artistas serão doados para MusiCares.

Por Lewis Corner – Quinta-feira, 6 de agosto 6/2015 – para o digitalspy.co.uk

Tradução e adaptação DeppLovers



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