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Entrevista com o diretor de “Aliança do Crime”, Scott Cooper

Em ‘Aliança do Crime,’ Whitey Bulger adquire um vislumbre de humanidade.
Por Michael Cieply e Brooks Barnessept | 01/09/2015

Livros sobre a desagradável aliança entre o gângster de Boston, James (Whitey) Bulger e um F.B.I corrupto, incluindo o best-seller “Black Mass” traziam um detalhe horrível após o outro: um homem apunhalado 38 vezes com um picador de gelo, tiroteios de metralhadora, uma jovem estrangulada e a escavação de corpos apodrecidos.

Quando Scott Cooper decidiu transformar “Aliança do Crime” em um filme, ele tinha o lado humano do assassino Sr. Bulger em mente. E havia um lado assim?

“Eu não queria fazer um filme sobre criminosos que tinham um lado humano,” disse o Sr. Cooper. “Eu queria fazer um filme sobre seres humanos que ocasionalmente eram criminosos.”

O filme está prestes a estrear no circuito de premiações de Hollywood.

Na sexta, “Aliança do Crime”, dirigido pelo Sr. Cooper, com um irreconhecível Johnny Depp interpretando o Sr. Bulger, Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch e Julianne Nicholson nos papeis principais, fará sua estreia mundial no ‘Venice Film Festival’. São aguardados em seguida exibições em Telluride, no Colorado e em Toronto. A Warner Bros irá lançar o filme nos cinemas no dia 18 de Setembro.

O Sr. Cooper disse que “Aliança do Crime” é mais “acessível”, mesmo com o fato de focar em um assassino real cujos métodos eram brutais ao extremo.

Indiciado por 19 assassinatos, o Sr. Bulger, que completa 85 anos na quinta-feira, foi sentenciado em 2013 a duas prisões perpetuas consecutivas por crimes violentos e opostos durante seu reinado em várias atividades fraudulentas no Sul de Boston. A maioria nos anos 70 e 80. Seu irmão William, interpretado pelo Sr. Cumberbatch, foi por anos presidente do senado em Massachusetts. O amigo de infância, John Connolly, interpretado pelo Sr. Edgerton, era um agente do F.B.I. que usou Bulger como informante, mas acabou ocultando alguns de seus crimes e terminou na cadeia por isso.

Como retratado no filme, O Sr. Bulger, que foi finalmente capturado em 2011 em Santa Monica (Califórnia) após ficar foragido por 16 anos, foi capaz de estrangular a sangue frio a enteada de um colega (interpretada por Juno Temple) com suas próprias mãos. Poucas horas depois, após comer um bife no jantar, ele agarra agressivamente o rosto horrorizado da esposa de um encarregado do F.B.I. (interpretada pela Sra Nicholson): “Ele a molesta de certa forma,” disse o Sr. Cooper.

Os expectadores talvez notarão a reação verdadeira de repulsa que o toque do Sr. Depp causou na Sra Nicholson. O Sr. Cooper disse que não havia dito em detalhes para ela sobre o que esperar daquela cena.

“Ela não tinha consciência a respeito. Eu normalmente não ensaio muito (as cenas)” disse ele.

Ainda assim o Sr. Cooper, trabalhando com um roteiro cujos escritores creditados são Mark Mallouk e Jez Butterworth, estava determinado em retratar o Sr. Bulger como algo mais do que um sociopata. Ele disse: “Foi dificil achar um núcleo emocional para o filme.”

Parte da solução foi deixar de fora alguns atos horripilantes. Pra começar, não tem cena envolvendo picador de gelo. O Sr. Cooper também focou no que ele chama de “a quase condenada história de amor” entre o Sr. Bulger e o Sr. Connolly, que se conheciam desde criança: “Eu queria ver um lado afetuoso do relacionamento deles,” disse ele.

Este Whitey Bulger se interessa por temperos de bife, deixa sua mãe trapacear em jogos de carta e na maioria do tempo interage com o Sr. Connolly como um irmão mais velho avassalador do que como um maníaco homicida.

Um detalhe bastante significativo que o Sr. Cooper aprendeu sobre o Sr. Bulger foi a perda de seu filho de 6 anos, que morreu vítima de uma doença conhecida por Síndrome de Reye em 1973:
“Ter visto meus pais perder uma filha ainda jovem, me fez ver o quão terrível isso pode ser.”
A irmã mais velha de Cooper morreu de meningite quando tinha 7 anos.

Reviver um trauma daquela magnitude através dos olhos do Sr. Bulger fez com que o Sr. Depp conseguisse achar o coração de um assassino reflexivo. “Ele passou por uma transformação que eu não tinha visto.” disse Cooper.

Fisicamente, Depp envelhece e se transforma em um homem magro, calvo, que tinha 81 anos quando foi preso em 2011. Emocionalmente, ele está marcado pela morte de um filho que ele estava treinando docemente com lições básicas da vida, incluindo sua crença de que ‘o único crime na verdade era ser pego’.

Dick Lehr, que escreveu o livro “Aliança do Crime” com Gerard O’Neill, disse por telefone direto de Boston, que ele viu o filme e sentiu que o Sr. Cooper conseguiu o equilíbrio “perfeito.”

“A única coisa que estava sempre me preocupando foi que eles poderiam transformar o cara mau em um cara mais bonzinho só pra fazer vender. Isso não ocorreu,” disse o Sr. Lehr. “Scott não adocicou. O filme é autêntico e intenso. Eu me perdi nele. E para um cara que conhece bem a história como eu, acredito que isso diz muito.” completa.

A maior parte de “Aliança do Crime” foi filmada em close. Atores, incluindo o Sr. Depp, as vezes tinham que olhar para uma lente de 75 milímetros, criando o que o Sr. Cooper espera que traga uma espécie de sentimento “claustrofóbico” aos expectadores. (Algumas filmagens foram criadas para parecerem como fotos de vigilância.) Durante duas horas o público ficará preso a um personagem cujos movimentos são econômicos e mortais: “Muito parecido com uma cobra”, – diz ele.

Fonte | Tradução e adaptação: Depplovers

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Sauvage: O filme – Dior Mag Brasil

SAUVAGE: O FILME

Tal como anunciado, descubra hoje o filme da campanha do novo perfume Sauvage, assinado por Jean-Baptiste Mondino, e siga Johnny Depp através de sua busca de autenticidade no deserto americano.

Uma noite em Los Angeles. Riffs de guitarra elétrica ressoam como gritos na trilha sonora criada por Ry Cooder, músico dos Rolling Stones e produtor do mítico álbum Buena Vista Social Club. Na guitarra: Johnny Depp, com o olhar disfarçado pelos óculos escuros, as mãos cobertas de anéis e joias fetiches que ele nunca tira. É o Johnny Depp que conhecemos, com seu visual tão peculiar, sua aura misteriosa e rock’n roll, pois a campanha realizada por Jean-Baptiste Mondino foi pensada junto com ele, como uma autobiografia.

Nesta noite iluminada pelas luzes da cidade, ele toca com energia, quase com raiva. Raiva de partir para encontrar a verdade rude dos grandes espaços. Respondendo a este chamado da estrada, Johnny Depp se lança em direção ao grande oeste americano. Lá onde a natureza toma o que é seu. Um coiote empoleirado no teto do carro, uma ave de rapina que voa, um bisão que passa…Tantos sinais para decifrar como um convite para se voltar ao essencial, deixar cair a máscara. Em pleno deserto, ele enterra amuletos e bugigangas, liberta-se do supérfluo, em uma espécie de cerimonial místico. Claquete final: no crepúsculo, ele revela sua verdadeira face, a de um homem com uma masculinidade agressiva, mas que assume suas emoções. Autêntico e nobre. Selvagem, mas Dior.

Fonte: Dior Mag Brasil