Times Magazine UK 16/06/2018 – Entrevista – Tradução

Johnny Depp, Alice Cooper and Joe Perry: backstage with the Hollywood Vampires

Johnny Depp never wanted to be an actor – the film star’s teenage dream was to make it big in a band. And now, with Alice Cooper and Aerosmith’s Joe Perry, he has. Will Hodgkinson meets the Hollywood Vampires
Tom Jackson
The Times magazine – UK
The Times, June 16 2018,

TRADUÇÃO por Amanda Ciliberto, exclusivo para Depp Lovers, favor creditar o DL ao repostar o texto integral ou partes dele.:
Johnny Depp nunca quis ser um ator, o sonho de adolescente dele sempre foi ser bem sucedido em uma banda. Agora, com Alice Copper e Joe Perry do Aerosmith, ele tem sua banda.

No centro de Copenhague em uma noite de Sábado, 20.000 pessoas estavam no Tivoli Gardens para o show dos Hollywood Vampires. O público jovem, que estava no parque de diversão do século 19, estava indo a loucura assistindo ao que essencialmente é uma banda de bar muito boa, tocando Break On Through (To the Other Side) da banda The Doors, Baba O’Riley do The Who, Ace of Spades do Motörhead… Um clássico da época dourada após o outro.

[…] A maior surpresa aparece quando surge um segundo guitarrista, com uma faixa na cabeça, camiseta branca com as mangas dobradas e um colete preto, para cantar “Heroes” de David Bowie. Talvez não seja uma grande surpresa mas o segundo guitarrista é Johnny Depp.

“Essa música tem sido muito relevante para mim,” diz Johnny Depp na tarde seguinte, que aparentemente era o seu aniversário de 55 anos. Ele fala com um tom baixo, devagar, um sotaque de origem indeterminada, um pouco britânico, um pouco como Marlon Brando. “Especialmente nos últimos anos”.

Conseguir uma entrevista com os Hollywood Vampires não tem sido fácil, justamente por estes acontecimentos na vida de Depp nos últimos anos. […]

Me deram instruções estritas de não mencionar nenhum dos itens acima, até porque alguns dias antes de nos encontrarmos [com Depp] um jornalista alemão fez exatamente isso, resultando no cancelamento de todas as entrevistas depois da dele, e criando pânico. De alguma forma eu passei despercebido. Talvez seja porque eu goste de banda, ou talvez porque eu veja Depp pelo que ele realmente é: um cara doce, tímido, ligeiramente perdido que se tornou uma das estrelas mais carismáticas do Hollywood dos tempos modernos, quando tudo que ele realmente queria era ser só mais um garoto da banda.

“Eu nunca deixei a música. Eu nunca parei de tocar,” diz Depp, aparecendo não magro e pálido, mas com delineador, um moicano e inúmeras tatuagens e braços musculosos, o tipo de homem de meia-idade cuja visão do céu seria estar sentado em uma varanda com Keith Richards, tocando Wild Horses com uma garrafa de Jack Daniels por perto. “Mas eu ganhei sucesso em uma outra área, o que ainda é um mistério para mim.

Quando fui para Los Angeles pela primeira vez com a minha banda nós dirigimos através do país em uma van alugada, que quebrava pelo caminho, atrás de um acordo todo-poderoso. Era a minha vida. Aí a atuação começou a acontecer, a banda terminou, e eu consegui um emprego onde eles iriam me pagar $1,200 por semana. A primeira coisa que eu fiz foi ligar para minha mãe e dizer, ‘Oi, você pode deixar o seu emprego’.”

Depp está sentado com Alice Cooper e Joe Perry em um salão do hotel, todos vestidos de preto, todos sobrecarregados com correntes, anéis, quinquilharias e colares suficientes para encher o tipo de baú do tesouro que o Capitão Jack Sparrow de Piratas do Caribe sempre entra em encrencas tentando achar.
A entrevista era para ter começado duas horas atrás, mas nenhum dos assistentes, gerentes de turnê e homem de papéis não definidos que estavam do lado de fora e (apesar de protestos) dentro da sala, eram capazes de subir para bater na porta do quarto de hotel de Depp para apressá-lo. Eventualmente, ele desceu de qualquer maneira e agora aqui estamos nós, com duas lendas da música e um ator, entusiasmados com o mundo de fantasia do rock’n’roll que eles criaram.

Foi ideia do Alice Cooper. Os Hollywood Vampires originais eram um grupo de jovens que bebiam no início dos anos 70, que se conheceram no Sunset Strip, Los Angeles, no Rainbow Bar and Grill, onde em uma sala privada as estrelas do rock escapavam as pressões da fama para trocar histórias de deboche, flertar com uma garçonete loira oxigenada que masca chiclete e se chama Schatzi e beber até desmaiar.
“Tudo o que fazíamos era beber, e as pessoas só nos viam à noite, então naturalmente nos tornamos os Hollywood Vampires (vampiros de hollywood),” diz Cooper, […] “Keith Moon andava vestido como a rainha da Inglaterra uma noite e como Hitle na outra.Harry Nilsson estava lá, discutindo com John Lennon. John sabia como ser engraçado, mas se ele estivesse em um dos seus momentos de ‘Vou mudar o mundo’ esquece. Quanto mais ele bebia, pior ficava.

Por mais divertido que tenha sido, Cooper notou um problema: as pessoas continuavam morrendo. “O fato de Jim Morrison do The Doors ter chegado aos 27 anos foi um milagre. Eu ficaria chapado com Jimi Hendrix, e eu olharia para Janis Joplin e Brian Jones e via como a indústria da música queria que eles fossem criativos e fizessem algo que ninguém tinha visto antes, mas eles todos morreram aos 27 anos. Você aprende com isso… Jim Morrison está morto porque ele tentou ser Jim Morrison o tempo todo. Eu estaria morto também se tivesse tentado ser Alice Cooper o tempo todo. Quando eu fiquei sóbrio, percebi que a arte é uma ilusão. São coisas que criamos. Não é a realidade. Agora eu posso ir as compras, eu posso jogar golfe, posso ir ao cinema se eu quiser, e é mais divertido interpretar o personagem do que ser o personagem”.

Alice Cooper também pode convidar atores mundialmente famosos para se juntarem à sua banda, como fez em junho de 2011 no filme de Shadows, Dark Shadows, com a comédia gótica de Tim Burton estrelada por Johnny Depp como um aristocrata amaldiçoado pela vida imortal de um vampiro. Cooper estava lá para fazer uma participação especial no filme e ele tinha um show no 100 Club, em Londres, na mesma noite, então ele perguntou a Depp, que ele tinha ouvido falar que sabia tocar guitarra, se ele não queria subir ao palco para tocar algumas músicas. O amigo mútuo Joe Perry ficou sabendo disso logo depois e em setembro de 2015 os Hollywood Vampires fizeram sua estréia no Roxy de Los Angeles, um pequeno local ao lado do Rainbow Bar and Grill. A surpresa naquele show, que contou com participações de Marilyn Manson, Kesha e outros tipos de rock, foi o quanto Johnny Depp se conteve. Ele óbviamente sabia tocar guitarra, mas ele não queria ser a atração principal. Ele queria ser o guitarrista legal, como Keith Richards, tocando com seus amigos enquanto o vocalista cantava na frente do palco.

A banda de adolescente de Depp, The Kids, não fez sucesso em LA. Porém após Depp começar a ficar famoso como ator, gravadoras que antes não lhes davam atenção saíram das sombras. “Cara, eu não acreditava,” diz Depp, que tem um jeito de fazer contato visual constante que é estranhamente acalmante; mais desarmante do que intimidante. “Um cara de uma gravadora nos viu e disse, ‘Realmente gosto da banda. Basta tirar todo mundo e tornar o guitarrista o vocalista principal’, significando eu. Eu não cantei. Eu ainda não canto. Eu nunca quis ser o vocalista. Eu queria ser o cara que fica longe das luzes.”

Foi Alice Cooper que convenceu Depp a cantar “Heroes”, dizendo que ele o ouviu cantando no filme Sweeney Todd de Tim Burton, e sabia que ele conseguia manter a nota se precisasse.
“Nós vimos todos os filmes dele…” Cooper começa.
“Eu não vi…” interpõe Depp.
“Mas realmente,” continua Cooper, “nós o consideramos um guitarrista. Você acha que eu e o Joe Perry iríamos ao palco com alguém que não soubesse tocar? Essa é a prova da habilidade dele”

“Eu o visitei no set de Black Mass,” diz Perry com um sotaque arrastado de Boston, citando o filme de 2015 estrelado por Depp como o gangster James “Whitey” Bulger. “Eu estava no trailer dele o tempo todo e eu nunca o vi sem uma guitarra. Eu vou para a casa dele e nunca encontro nenhum ator, só músicos. Eu vejo as pessoas como energia, e quando o Johnny está no palco sua energia está completa. Ele está fazendo o que sempre quis fazer.”

No entanto, Johnny Depp continua inundado por celebridades. Quando ele tocou “Heroes” no Tivoli , os gritos da multidão tornaram quase impossível ouvir se ele podia cantar ou não. A música épica de rock artístico de Bowie sobre dois amantes que se encontram no Muro de Berlim é edificante e emocional e precisa de espaço para ser apreciada. Presumidamente, deve ter sido frustrante para Depp ter sido abafado por tantos gritos, assim como para nós, os membros não gritantes da platéia.

“Uma coisa estranha acontece quando você faz muitos filmes,” diz Depp, desrespeitando a proibição de não fumar, com um cigarro enrolado pendurado permanentemente no canto da boca, o que prova que ser uma celebridade traz benefícios. “As pessoas ficam sabendo quem você é, o que é uma viagem, e eu ainda não estou acostumado a isso. Então você fica mais confortável em frente de uma câmera do que na vida real. Se eu estou interpretando um personagem eu posso fazer qualquer coisa. Eu posso me tornar um completo idiota, como já fiz muitas vezes, e ser pago por isso.”
“Você pode lutar com espadas,” oferece Joe Perry.
“e ser ensinado pelo cara que ensinou Errol Flynn. Eu não quero ser aqueles atores chorões e queixosos… merdè, eu nem sei se sou um ator, eu nunca tomei essa decisão… Mas a vida de ator torna a vida normal mais difícil.”

Parece que Johnny Depp tem três vidas: como ator, como roqueiro e como pessoa. É conciliar os três que se revelam difíceis.
“Em uma banda você tem que estabelecer um personagem do jeito que você faz em um filme, e se você não pegá-lo imediatamente, você está morto,” diz ele. “E agora eu sei quando estou com a banda, as pessoas estão olhando para mim como o cara ator. É uma novidade.
Ocasionalmente, eu toco guitarra e penso: o que você está fazendo? Você é Eduardo Mãos de Tesoura. Você é o Whitey Bulger. Você é o Chapeleiro Maluco. Você é tudo de diferente do que você é quando está no palco.”

Você se pergunta se Depp leva a abordagem do método de atuação para estar em uma banda, embora a maioria das bandas não tenha um jatinho particular que podem usar para ir para shows. Ele parece e soa certo, e claramente tem um amor por esse tipo de música. Ele revela como, ao interpretar um guitarrista cigano em Chocolat em 2000, ele passou horas dominando o estilo famoso e difícil do virtuoso jazz Roma de três dedos Django Reinhardt. Desempenhar um papel como ator ou músico deve, em certa medida, devorar sua realidade. Provavelmente ajuda a explicar por que os últimos anos foram tão caóticos.

“O conceito de ser um ‘ator sério’ é o maior oxímoro em andamento. Eu ainda não posso levar a atuação a sério, mas um pouco de método é uma coisa útil,” diz ele. “Eu nunca serei o cara que interpreta Henry VIII e agarra uma perna de peru gigante enquanto ignoro o pacote de Doritos na mesa, mas eu pulo pra dentro e pra fora de personagens. No final de uma produção há sempre um período de depressão, porque sou uma pessoa tímida na vida, e em personagem posso ser qualquer coisa. Houve uma grande segurança em interpretar Edward Mãos de Tesoura porque ele tem inocência e pureza. Eu o baseei em um cachorro que eu tinha. Capitão Jack é uma combinação de Pepé Le Pew e Keith Richards, com um pouco de Wile E Coyote de Road Runner. Adoro que Wile E Coyote possa ser atingido por uma pedra gigante, e então você vai para a próxima cena e ele tem um pequeno galo na cabeça. Ele nunca desiste. E ele nunca vence.”

Agora há a questão de quão longe Depp, Alice Cooper e Joe Perry irão com os Hollywood Vampires. Todos os três são homens ocupados. E não é fácil colocá-los no mesmo lugar ao mesmo tempo.

“Há uma enorme diferença entre o Aerosmith e os Hollywood Vampires”, diz Perry, o Keith Richards para o cantor do Aerosmith, Mick Jagger, de Steven Tyler, e com um relacionamento igualmente frágil para combinar. “Nós temos um cara japonês que vem a todos os shows do Aerosmith. Ele é o único cara que eu conheço que já foi até Steven e disse: ‘Sr. Tyler, seu coração não estava aqui esta noite.’ Steven ficou muito espantado. A escuridão perene de Perry irrompe no que é quase um sorriso na memória. “O mesmo cara me disse, depois de um show de Hollywood Vampires: ‘Você está tocando coisas que não poderia tocar no Aerosmith’. É verdade. É muito mais flexível.

“Meu show normal é definido em cimento”, diz Cooper, cujos concertos geralmente terminam com a cabeça sendo cortada por uma guilhotina. “Alice nunca fala com o público porque Alice não é humano. Eu não quero que eles se relacionem com ele. Eu não quero que eles gostem dele. É por isso que quando fazemos “Heroes” com os Hollywood Vampires, Alice não consegue cantar. David Bowie foi o herói. Eu sou o vilão.

David Bowie foi ao primeiro show de Alice Cooper em Londres em 1971 e pegou algumas dicas para o que se tornaria o Ziggy Stardust. “As pessoas queriam uma disputa entre nós, mas isso não existia. Nós dois estávamos fazendo um teatro de rock, mas ele estava criando um novo movimento no rock’n’roll e nós estávamos colocando esse teatro no topo dos hits tipo I’m Eighteen e School’s Out.”

Depp não tem uma banda principal para tirá-lo dos Hollywood Vampires, embora ele tenha o que ele chama de “trabalho do dia”. Ele tem assumido cada vez mais as funções de composição de material original em um segundo álbum. Uma de suas faixas, I Want My Now, é inspirada por sua amizade com Gerry Conlon, do Guildford Four, que passou 15 anos em uma prisão britânica após ter sido erroneamente condenado por um bombardeio no IRA, que ilustra como a fama de Depp permitiu que ele se envolvesse com pessoas com histórias para contar. Seu ímpeto original para se juntar ao grupo foi redescobrir a camaradagem que você tem na vida de banda, algo que ele perdeu em seu caminho para o estrelato do cinema.

“Os Hollywood Vampires nunca foram para ser um super grupo”, diz Depp. “Era ‘vamos ser uma banda de bar. Vamos tocar músicas de pessoas que nós admiramos.’ É uma oportunidade de fazer jovens gostarem de, digamos, ‘7 and 7 is’ do Love [rock dos anos sessenta de Los Angeles].”
Onde, então, o rock está indo, se é deixado para homens nos seus cinquenta, sessenta e setenta para fazer a soundtrack da rebelião adolescente?

“É uma forma clássica de música agora,” diz Perry com um gesto de resignação. “Há tantas músicas ótimas por aí, às vezes me pergunto, por que se preocupar em escrever novas? Somos uma banda de garagem. O estúdio de Johnny está em uma garagem, na verdade.”

“Meu problema é que as bandas mais jovens são tão introvertidas,” diz Cooper. “Eles querem se parecer com todo mundo no shopping. Eles não querem assustar ninguém. Eles cantam sobre coisas que são seguras. Onde está o orgulho? Onde está o sexo? As estrelas do rock devem ir lá e sacudir a bunda. Você deveria pensar: cara, isso é divertido. Eu nunca vou ter essa idade novamente. Eu pareço bem, pareço bem, as garotas são loucas por mim. Eu digo para bandas jovens: não me fale de política ou poluição. Me conte sobre sua namorada. Rock’nroll é uma atitude. É tão perto de uma banda de motociclistas como qualquer outra coisa. Para a nossa geração, é disso que se trata. ”

Todos os três “diretores” de Hollywood Vampires, como a linguagem de gerenciamento de turnê diz, tem crianças em bandas. O filho de Johnny Depp, de 16 anos, Jack, tem uma banda chamada Clown Boner. “É um dos meus momentos de maior orgulho”, diz o pai. Os filhos de Joe Perry, Adrian e Tony, estavam em uma banda chamada TAB the Band. “Eles lançaram ótimos discos e merdas, mas não continuaram e um deles virou advogado”, diz ele, com um pouco de decepção.
O filho de Alice Cooper, Dash, tem uma banda de rock pesado chamada Co-Op. “Eles são bons. Eles acabaram de ter um hit número 5 nos EUA. ”

Quando o nosso tempo chega ao fim, Johnny Depp não quer parar de falar. Ele me diz que descobriu a alegria de Jack Daniel e cola em uma lata. “Você pode obtê-lo do 7-11”, ele se entusiasma. Mas há uma sessão de fotos para passar e uma festa de aniversário para se preparar, que Depp diz que não está ansioso. “Eu sou tão velho quanto Matusalém”, ele proclama, embora realmente tenha um caminho a percorrer: este patriarca bíblico morreu com a idade de 969 anos.
Antes de serem levados por um pequeno exército de funcionários, eu pergunto, a esses três que já não são mais jovens, cada um deles tão claramente apaixonados pelo espírito do rock’n’roll, se eles fossem presidente por um dia, o que eles fariam?
“Eu iria triplicar os salários dos professores”, diz Alice Cooper. “Eu gostaria e ter uma chave para a Área 51,” diz Joe Perry, referindo-se à base da força aérea classificada no deserto de Nevada [nos EUA]. “Quem matou os Kennedys? Eu veria a merdè da verdade. Tudo funcionaria depois disso.”

“Eu faria o exato oposto do que a maioria dos presidentes fez,” diz Johnny Depp. “Principalmente, porém, eu sentaria em uma sala e pensaria.”
Ele pensa sobre isso por um momento.
“Eu pensaria bastante.”

4 thoughts on “Times Magazine UK 16/06/2018 – Entrevista – Tradução

  1. Ly says:

    Amei! Ótimo trabalho, meninas.

  2. Cátia Pinto says:

    Adorei, excelente trabalho! Vocês são incansáveis! OBRIGADA meninas! Bjs

  3. Jay says:

    Uma das melhores entrevistas que já li com os três.
    Amei o que o Alice disse que faria se fosse presidente. Sou professora, óbvio!
    Obrigada pela tradução Amanda. Ótimo trabalho.

  4. Rosa Maria says:

    Belo trabalho meninas!! Linda entrevista. Completa! Amo esses garotos!!!

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