agosto 13, 2018

“Agora eu falo!” Johnny Depp

Jerry Wagner & Johnny Depp “summer concert of the Hollywood Vampires in the Hamburg city park.
June 2-3 2018. Hamburg Germany. TV Movie Magazine.

Great interview in German, thanks @DrMCaligari for the translation and @AnDy63231461 and @andromedas_erbe for the found and the scans: LINK

Violência, divórcio, dívidas, álcool, anorexia, depressão – os boatos sobre Johnny Depp não param. O que realmente está acontecendo com a estrela dos “Piratas do Caribe”? TV Movie o encontrou em Hamburgo.

IN: É bom que você esteja visivelmente melhor. Recentemente, tem havido muita especulação sobre qual doença você pode sofrer porque você está emagrecido / porque perdeu tanto peso?

JD: Não muito tempo atrás, dizia-se que eu estava inchado. Alegadamente, eu confesso ter uma retórica confusa ou tenho até mesmo uma dificuldade no uso da linguagem. Eu sempre falo e penso devagar … sem pressa. O que quer que eu faça, grandes manchetes relatam um problema. É por isso que não leio mais o que está escrito sobre mim. Porque a criatividade precisa de distância do circo, com a qual os outros querem ganhar dinheiro (com) a sua vida.

IN: Essa é a razão pela qual você não está nas mídias sociais?

JD: Honestamente, eu não sei como o Facebook e Co. funcionam, então eu teria que contratar alguém para gerir minha presença nas redes sociais. A ideia de que mais pessoas comprariam ingressos de cinema se eu postasse fotos do meu café da manhã no Instagram, bobagem.
Eu tenho estado no centro das atenções o tempo suficiente para lembrar da carreira sem o Twitter, e gosto de não ter que pescar curtidas e retweets dia e noite.

IN: Então é tudo calúnia, o que se ouve e lê sobre você … por pessoas invejosas?


JD: Se eu pensasse sobre isso … talvez. Por exemplo, gastei muito dinheiro em guitarras legais nos últimos anos. A questão se eu mereço uma Gibson Lee que tem o valor de uma casa de família, surge assim que minha guitarra pode ser vista em fotos ou no palco.

IN: Agora estamos falando de guitarras?

JD: Eu estou. Sobre o que você quer falar?

IN: Por exemplo, sobre o seu consumo de vinho absolutamente lendário – supostamente por US $ 30.000 por mês?

JD: Aqueles que armazenam garrafas empoeiradas em salas com temperatura controlada, garantem sua pensão, mas não entendem o espírito do vinho. Uma adega cheia faz sentido para mim, se você gosta de beber aquelas gotas nobres que você não comprou por um punhado de dólares na loja de descontos com seus convidados. O bom vinho pertence ao copo, não à garrafa, e uma grande guitarra pertence ao palco, assim como um carro esportivo pertence à rua.

IN: Já foi dito que você está falido. Isso é correto / verdadeiro?

JD: Há algo que aprendi na vida: o dinheiro não deixa ninguém feliz. Pelo menos não se estiver na sua conta bancária e nos tempos de hoje que não pagam mais juros. As posses acumuladas não enriquecem. Você é rico apenas quando compartilha suas posses com os outros.

IN: Então você prefere gastar seu dinheiro?

JD: Eu invisto na qualidade de vida no aqui e agora, em vez de um futuro incerto.

IN: Seu corpo está coberto de tatuagens – isso é algo para a eternidade?

JD: Isso seria muito bom, mas sabemos pelo menos desde a minha tatuagem “Wino forever”, que não é assim. Para mim, minha pele não é a única, mas é definitivamente um espelho da minha alma. Uma tela na qual posso expressar meus sentimentos.
(Nota do editor: Após a separação de Winona Ryder Depp encurtou sua tatuagem “Winona forever” para “Wino forever”)

IN: E (o que acontece) quando (seus) sentimentos mudam para uma mulher imortalizada em sua pele?

JD: (Nesse caso) minha pele mostra cicatrizes que até mesmo o melhor tatuador deixa quando ele precisa fazer correções em um desenho. Mas as cicatrizes contam histórias muito mais interessantes de uma vida do que uma pele impecável.

IN: Você toca mundialmente em palcos com Alice Cooper, Slash, Paul McCartney e o guitarrista do Aerosmith Joe Perry como Hollywood Vampires. Isso leva você para longe de atuar?

JD: Não! Como guitarrista e cantor ocasional, eu não sou o poser mais exaltado no palco.
Nós, os Hollywood Vampires, não somos estrelas musicais ou uma boy band geriátrica / desatualizada. Não há condutor, nem coreógrafo ou diretor. Cada um de nós se apresenta no palco como lhe agrada. Nós gostamos de tocar com amigos músicas que amamos e (nos permitem) nos banhar em emoções. Isso é um verdadeiro luxo, porque ninguém pode comprar uma experiência dessas.

IN: Como você descobriu a música?

JD: Minha mãe me deu meu primeiro violão quando eu tinha 12 anos de idade. Nós nos mudamos muito durante a minha infância e a guitarra não era minha única, mas era (certamente) minha melhor amiga. Ficou assim quando finalmente nos estabelecemos em Miramar, Flórida, e logo eu toquei em várias bandas.

IN: Você era bom?

JD: Eu pensei (na época) que eu era muito bom… mas eu não tenho certeza hoje se esse foi realmente o caso.

IN: Como o guitarrista do The Kids, você se mudou para Los Angeles com a banda para se tornar uma estrela do rock…

JD: Nós mudamos nosso nome (banda) e nos tornamos Six Gun Method, mas o acordo com uma grande gravadora não deu certo.

IN: Por que não?

JD: Eu provavelmente não deveria ter me casado com a irmã da mulher do nosso baixista e cantor. Não que Lori (Ann Allison) fosse nossa Yoko Ono. Pelo contrário. Ela trabalhou como maquiadora enquanto eu estava tentando vender canetas e relógios em um call center. Mas Lori me apresentou a Nicolas Cage, que me deu o conselho para tentar como ator.

IN: Isso foi mais fácil?

JD: Não. Mas os atores são responsáveis ​​pelo (próprio) sucesso ou fracasso sozinhos; isso me atrai mais. No coletivo da banda muita coisa pode dar errado. Na frente da câmera funcionou. Em 1984 fui puxado para um colchão de água por Freddy Kruger e o resto da minha carreira de ator é, como diz o ditado, a história.

IN: Um ano depois você e Lori se divorciaram. O que deu errado?

JD: Eu estava constantemente quebrado e provavelmente não tão charmoso quanto no nosso primeiro encontro.

IN: O sucesso na carreira e o dinheiro são importantes para um relacionamento?

JD: Eu acreditava no meu sonho, mas a crença por si só não dava à minha esposa a garantia de que o nosso relacionamento precisava.

IN: Você ainda acredita em amor verdadeiro / verdadeiro (apaixonado pela letra maiúscula)?

JD: Absolutamente. No entanto, eu me pergunto hoje em dia se eu sou capaz de reconhecer o amor verdadeiro, ser digno disso, ou mesmo me apegar a ele.

IN: Existe um exemplo de amor verdadeiro em sua vida?

JD: Dois. Meus filhos Lily (Lily-Rose Melody Depp) e Jack (John Christopher Depp III).

IN: Que você tem com a cantora Vanessa Paradis;
Separação e mudança de tatuagem veio depois de 14 anos de casamento …

JD: Sim, mas isso não manchou o relacionamento com meus filhos. Apesar de seu pai caótico, os dois são a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eles me fizeram uma pessoa melhor.

IN: Sua filha estava muito doente – depois de sua recuperação, você doou um milhão de libras para a clínica de Londres. Por quê?

JD: Isso deveria ser um segredo, mas em última análise motivou outros doadores a apoiar este hospital. No final, tudo acabou para melhor.

IN: Uma citação anterior sua: “A amizade é mais importante para um homem do que o amor!”

JD: Eu não apoiaria isso hoje. No entanto, acredito que uma amizade entre dois homens é muito menos complicada do que o amor entre um homem e uma mulher. E quando meu coração continua na montanha-russa novamente, as amizades são extremamente importantes.

IN: Amizades? Plural?

JD: Correto, mas eles (amizades) são cada vez menos.

IN: Alguns últimos desejos de seus amigos falecidos lhe custaram uma tonelada de dinheiro e lhe trouxeram muitos problemas…

JD: Verdadeiro. Tornar os últimos desejos uma realidade realmente parece certo para mim. Mas eu percebi há algum tempo que eu não tinha tanto dinheiro quanto pensava. Então, meus advogados exigiram muito dinheiro de meus consultores financeiros e acabamos não apenas no tribunal, mas “fontes anônimas” informaram a mídia em detalhes sobre quanto dinheiro eu supostamente havia gasto em todo tipo de coisa.

IN: Incluindo os três milhões de dólares (gastos) para o funeral do jornalista norte-americano Hunter S. Thompson?

JD: Sim – e o vinho de que falamos no início desta entrevista.

IN: Você se encontra no tribunal com mais frequência?

JD: Isso é difícil de evitar em uma sociedade onde pode ser extremamente lucrativo acusar um homem como eu.

IN: Você é realmente sempre inocente?

JD: Eu sou emocional, confronto e dou aos potenciais oponentes/inimigos uma boa munição. Não me importo se as alegações contra mim forem investigadas pela polícia, promotores e tribunais. Só assim o fato pode ser separado da ficção.

IN: Você gosta de interpretar o herói em um filme?

JD: Papéis de herói clássicos/típicos nunca me interessaram. O fato é que nossa cultura tem uma queda por Bad Boys. É por isso que eu sempre interpreto meus papéis um pouco esquizóides. Meus heróis têm seus lados negros, que os tornam tão interessantes para mim.

IN: O esquizóide seria uma boa descrição para papéis como o Capitão Jack Sparrow?

JD: Jack é um pirata que simplesmente não compartilha as convenções de nossa sociedade em termos de propriedade, lei e ordem. Quando Jack pousa em um porto, ele rouba um navio para alcançar seu objetivo.

IN: Quão importante é a verdade para você?

JD: Na frente de uma câmera, estou interessado em uma boa história – não importa se é verdade ou não. É por isso que, com algumas exceções, não faço documentários.

IN: Você é uma pessoa moral?

JD: Eu não tenho direito a esse julgamento. Infelizmente, nem sempre cumpro meus próprios padrões morais e uso minha culpa – ou seja lá como você quiser – como combustível / ímpeto para dar força e verdade aos meus papéis.

IN: Para o seu elenco como Gellert Grindelwald em “Fantastic Beasts 2” (Cinema release: 15.11), você recebeu protestos da campanha MeToo. Como você se sente quando é alvo de denúncias da opinião pública?

JD: Eu respiro fundo e tento seguir meu caminho. Não há desculpa para a violência contra as mulheres. Toda acusação, toda alegação deve ser cuidadosamente examinada pela autoridade policial competente.

IN: Falando de violência contra as mulheres: o porta-voz do LAPD apenas confirmou que em 21 de maio de 2016, um carro de patrulha dirigiu para o seu apartamento na South Broadway porque uma chamada de emergência havia alertado a polícia sobre violência doméstica. Chegando lá, a polícia interrogou todos os presentes, examinou os quartos e decidiu que nenhuma ação criminalmente relevante havia ocorrido. No entanto, sua então esposa Amber Heard obteve uma ordem judicial proibindo você de se aproximar dela – e ela pediu o divórcio …

JD: Eu tenho que te interromper aqui. Você certamente veio a saber durante a sua pesquisa …

IN:… que há uma cláusula, como parte do seu acordo de divórcio, que silencia todos os envolvidos.

JD: Como a polícia esteve no local, um juiz decidiu durante o nosso divórcio até que ponto as alegações de Amber contra mim eram legítimas e legalmente relevantes.
Hoje não adianta expor publicamente acusações ou defesa repetidas vezes.

IN: Lembre-se, a ordem de restrição proibindo você de se aproximar de Amber Heard foi retirada pouco depois – depois que seus advogados negociaram o essencial, especialmente os detalhes financeiros de seu divórcio.

JD: Podemos por favor falar novamente sobre guitarras, música e filmes?

IN: Como você lida com esses ou outros problemas que obviamente não podem ser resolvidos por você e talvez não possam ser resolvidos?

JD: Com paciência. Eu acho que todo problema pode ser resolvido com paciência. Todo sonho pode se tornar realidade. Eu nunca desisti do meu sonho de ser guitarrista no grande palco – nem mesmo enquanto trabalhava na minha carreira de ator. Não importava onde eu estivesse, sempre tinha uma boa guitarra ao meu alcance.
Eu sei que as pessoas muitas vezes riram de mim, ou até me ridicularizaram pelas minhas costas. Eu posso ignorar isso. Porque o meu sonho não se realizou, porque o destino significou bem para mim. Meu sonho se tornou realidade porque eu fiz isso com meus amigos.
Então eu continuo no meu próprio caminho e faço o meu trabalho. Não importa se eu interpreto Gellert Grindelwald em um filme, ou componho novas músicas com os Hollywood Vampires e grave-os no estúdio.
Não importa se recupero um pouco da minha fortuna perdida ou se tenho de ganhar tudo de novo. Eu me levanto de novo, tiro a poeira das minhas roupas e continuo no meu caminho / jornada.

A entrevista com Johnny Depp foi feita pelo jornalista Jerry Wagner no contexto do concerto de verão dos Hollywood Vampires no parque da cidade de Hamburgo. Wagner conversou com Depp no ​​Hyatt Hotel e na área dos bastidores. Ambos se conhecem de reuniões anteriores: “Mas desta vez fiquei impressionado com a abertura de Johnny, seu humor e sua emotividade”, diz Wagner.



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